O instituto conhecido como vatriba (va-TRI-ba, do
zarlia vatri: união; ba: costume) é a base dos relacionamentos sociais em Aldetoron. Se duas ou mais pessoas seguem um objetivo comum e pretendem permanecer juntas temporariamente (kakravatriba) ou permanentemente (onvatriba), certamente buscarão o rito adequado para selarem o compromisso publicamente. Veja a seguir alguns conceitos que se encaixam na ideia:
- Casamento: tal termo não existe em Aldetoron, mas é um bom começo para definir a forma mais comum de vatriba. É o reconhecimento da união estável entre pessoas perante a sociedade (não necessariamente duas, e também não necessariamente com o objetivo de gerar filhos).
- Ingresso em um grupo econômico: a abetura de um estabelecimento comercial ou industrial requer, além de formalidades burocráticas, comprometimento juramentado entre os sócios Para isso é necessário passar pelo ritual do vatriba.
- Subordinação a alguém: o reconhecimento de um superior hierárquico requer um rito de união, como forma de tornar pública a relação. Todo cidadão deve passar pelo vatriba para aceitar publicamente seus governantes e ser aceito pelos conterrâneos, e as pessoas que trabalham diretamente para autoridades devem passar por um novo ritual, unindo-se diretamente ao seu superior. Da mesma forma, um guarda-costas, escudeiro ou empregado reconhece a subordinação através do vatriba.
- Formação de uma companhia: aventureiros que arriscam suas vidas em conjunto, confiando diariamente uns nos outros para sobreviverem a masmorras e monstros durante suas viagens, geralmente passam pelos ritos do vatriba para selarem essa forma tão especial de união.
Com esses exemplos fica clara a necessidade de todos os indivíduos terem uma face social, separada de suas características individuais, que os identifique como membros de determinado(s) círculo(s) de sua sociedade. Afinal, alianças, compromissos e relacionamentos formam as engrenagens que realmente movem o mundo.
Assim, tendo o conceito geral em mente (através de espécies comuns de relacionamentos listadas acima), agora podemos especificar as formas de vatriba como de fato são vistas em todas as regiões de Aldetoron:
Afeição
Por vontade de conviverem juntos, dois a cinco indivíduos (às vezes mais) realizam os ritos de vatriba por afeição. Ele engloba a ideia de casamento, bem como dos grupos de aventureiros, por exemplo. A identificação dessa união é quase sempre feita pelo uso de colares ou tatuagens. Esses ritos costumam ser festivos, com convidados e presentes.
- É comum a celebração da união entre aventureiros que passam por muitos perigos juntos. O ritual póstumo, para reconhecer a amizade de um companheiro morto, também é realizado com certa frequência, com a mesma festividade. Aventureiros antigos costumam ter colares de contas, cada uma representando um colega deixado para trás.
- Em Turgar, todas as pessoas que pretendem ter herdeiros (de sangue ou adotivos) devem necessariamente demonstrar alguma afeição em público, agindo (ou fingindo agir) como uma família.
- Em Itgar, as amazonas geralmente passam por ao menos três diferentes ritos de vatriba por afeição. Um com um ou mais homens, com objetivo de gerar ao menos uma filha, outro com uma mulher confidente, com objetivo de alcançar felicidade, e o terceiro com outras amazonas, suas amigas, com objetivo de defender o território.
- Em Mitras, toda promessa importante (vinganças e retribuições a favores são as mais comuns) é celebrada com um rito de vatriba por afeição.
- Em Lushma, as uniões afetivas têm sempre caráter sexual, geralmente celebradas entre duas ou três pessoas. Uniões para gerar herdeiros são realizadas por subordinação (veja adiante).
Necessidade
A união acontece por interesses calculados. Parecido com o vatriba por afeição, pois também abarca a ideia de casamento e formação de expedições de aventureiros. A identificação dessa união é quase sempre feita pelo uso de colares (diferentes dos correspondentes à afeição) ou faixas amarradas nos braços, na cintura, no pescoço ou nas armas. Os ritos de vatriba por necessidade costumam ser formais, sérios, com poucas testemunhas e algumas vezes com entrega de pequenos presentes pelos convidados.
- Membros de pequenas expedições de batedores ou de grupos reunidos sob perigo (como aventureiros ou um pelotão durante uma guerra) costumam realizar um pequeno rito em que trocam faixas de tecido para assegurarem a lealdade.
- Em Balodin e Vandivya, as pessoas costumam agir guiadas por necessidade, independente de afeição ou subordinação. Quando precisam de dinheiro, organizam-se para iniciar um negócio. Quando precisam de proteção, unem-se a mercenários ou guarda-costas. Da mesma forma, quando precisam de companhia, unem-se a outros que também estão solitários. Todas essas formas de aliança são realizadas sem a definição de lados com mais ou menos prerrogativas, nem mais ou menos recompensas.
- Em Trakstis, toda união com objetivo de gerar herdeiros é realizada por necessidade, sem obrigação de afeto, quase sempre durante a infância dos casais. Eles recebem presentes e os colares que deverão usar até o nascimento do primeiro herdeiro, quando então podem optar por desfazer a união.
Subordinação
A união se deve a uma relação de proteção ou apadrinhamento, seja entre duas pessoas ou um povo inteiro. Refere-se à forma de vatriba dos grupos militares, empregados perante os empregadores e dos cidadãos perante seus governos, por exemplo. A identificação dessa união é quase sempre feita pelo uso de pulseiras, cicatrizes ou vestimentas com determinado símbolo, formato ou combinação de cores. Os ritos de vatriba por subordinação costumam ser celebrados através de juramentos com testemunhas, e os novos subordinados algumas vezes precisam dar presentes àquele a quem prestam juramento (combinado em cada caso).
- Em Vandivya, os reis dragões exigem o fornecimento de jovens para servirem em suas cavernas nublares, construídas nas nuvens sólidas. Eles sofrem escarificações no rosto ou nas mãos para indicar o vínculo.
- Em Lushma, as uniões com objetivo de gerar herdeiros são realizadas pela subordinação. O subordinado (sem distinção de sexo) cuida dos filhos e das propriedades. Durante as relações sexuais, o parceiro dominante sempre fica por cima, a não ser que expressamente defina de forma diferente. Além disso, ele pode escolher novos subordinados, desde que essas novas relações não gerem filhos.
Ingresso
As pessoas se unem a um grupo grande, geralmente dezenas ou centenas de pessoas. Parecido com o vatriba por subordinação (existe uma relação de proteção), mas com a ideia de que há igualdade entre os membros (pode haver um conselho, mas não um chefe com poderes ilimitados). Forma de vatriba utilizada para aceitação de um membro em uma facção, por exemplo. A identificação dessa união é quase sempre feita pelo uso de anéis, vestimentas, cortes de cabelo ou mutilações (dedos, genitais, orelhas, dentes etc.). Os ritos de vatriba para ingresso costumam conter juramentos e a presença de membros do grupo em que ingressam os novos membros.
- Em Sarvilae os liundari se juntam em grupos de poucas dezenas, sempre afastados de outros grupos para preservar a influência onírica (pois grandes aglomerações a anulam), utilizando-a contra os inimigos. Esses grupos raramente misturam seus membros, de modo que cada um deles transforma-se em uma pequena facção com seus próprios rituais de vatriba para ingresso de novos participantes.
- Em Mitras e Lushma, a maioria das cidades não tem governo definido, mas conjuntos de irmandades, cujos conselhos internos formam conselhos maiores para tomar decisões. Essas irmandades representam famílias, categorias econômicas, militares e sacerdotes, entre outros grupos. É possível participar de mais de uma irmandade.
Independente da espécie (afeição, necessidade, subordinação ou ingresso), o ritual de união no 7º ciclo é geralmente realizado por sacerdotes de
Baeva, deusa da felicidade, das viagens e das grandes empreitadas, mas também pode ser celebrado por autoridades do governo. Por ser uma formalidade estritamente social, em cada região o ritual é diferente, adequando-se aos costumes da população local.
Logicamente, é comum uma pessoa passar por mais de um ritual de vatriba durante sua vida. Assim, o número de colares, pulseiras, anéis e símbolos utilizados por uma pessoa revelam seu grau de comprometimento social. Além disso, é importante notar que os ritos de vatriba são realizados por todas as criaturas inteligentes, e não somente humanos.
Veja a seguir os símbolos e cores utilizados nas representações de vatriba pelas regiões continentais de Aldetoron, bem como estilo de colares e pulseiras e as localizações mais comuns de tatuagens.

Turgar
Símbolos: leão, coroa, espada, pistola, castelo
Cores: azul, branco e dourado
Colares e pulseiras: metal
Tatuagens: nos antebraços e mãos
Itgar
Símbolos: cavalo, flor, lança/flecha, balonai, mulher
Cores: vermelho e branco
Colares e pulseiras: couro e pedras preciosas
Tatuagens: nas costas e braços

Mitras
Símbolos: coruja, livro, cajado, rio, peixe, relógio, estrela
Cores: preto e branco
Colares e pulseiras: tecido e couro
Tatuagens: na cabeça, mãos e pés
Lushma
Símbolos: serpente, veneno, ossos, chicote, sexo, torre
Cores: púrpura e prata
Colares e pulseiras: couro, ossos e metal
Tatuagens: no peito, lombar e abdome

Vandivya
Símbolos: dragão, céu, pedra, sangue
Cores: amarelo e prata
Colares e pulseiras: metal e pedras preciosas
Tatuagens: nas costas e pescoço
Balodin
Símbolos: lagarto, anão, gigante, portão, martelo, escudo, bomba
Cores: preto e dourado
Colares e pulseiras: metal e pedras preciosas
Tatuagens: em qualquer parte do corpo

Sarvilae
Símbolos: macaco, liundari, árvore, rifle, luz, lua
Cores: verde e branco
Colares e pulseiras: couro, madeira e ossos
Tatuagens: nos braços, pernas e pescoço
Trakstis
Símbolos: inseto, escuridão, morto-vivo, adaga, fogo, moinho
Cores: preto e vermelho
Colares e pulseiras: tecido, couro, metal e ossos
Tatuagens: nas palmas das mãos, ombros e cabeça