segunda-feira, 2 de maio de 2011

E se você estivesse num sonho?

E se você estivesse num sonho e subitamente tomasse consciência desse fato? Você se comportaria da mesma forma ou aproveitaria a situação para fazer aquelas coisas que sempre quis fazer, mas nunca teve coragem por causa das consequências?
Sem as amarras construídas pelas normas que ditam nosso comportamento, talvez você não levasse desaforos para casa ao se sentir irritado. Num sonho é possível bater nos outros, matar, destruir, xingar, ficar nu, estuprar, gritar e tocar fogo sem se preocupar com o que os outros vão achar. Afinal, é um ambiente fechado, distante e inacessível às pessoas reais, de modo que tudo o que acontece lá dentro acontece, na verdade, dentro da imaginação.
Mas e se você estivesse em um sonho e percebesse que aquele não é um sonho comum, mas um sonho habitado por milhões de pessoas reais, e que você pudesse entrar e sair à vontade, como um visitante, assumindo uma aparência diferente da sua? Se tudo der errado e você morrer, você simplesmente acorda na sua cama, na sua casa e em segurança (como se estivesse em um jogo). Nesse caso, da mesma forma acredito que a maioria das pessoas faria coisas que geralmente não arriscaria fazer, como sair em busca de aventuras, por exemplo. E arrisco afirmar que alguns (se não muitos) cometeriam crimes, se aproveitando do anonimato. Outros (aqui me incluo) tentariam descobrir que lugar é aquele, como funciona e até que ponto se equipara a um sonho comum. Seria possível voar? Respirar debaixo da água? Modificar as coisas com o pensamento?
Agora pegue essa idéia toda e coloque na sua mesa de RPG. Deixe os jogadores criarem seus avatares oníricos (digo, personagens) enquanto você, narrador, conta uma história sobre como as pessoas lidam com uma situação onde a moral e a ética são confrontadas com o instinto e o desejo. Onde a realidade é confrontada com a fantasia.
Afinal, o que é uma história de RPG senão um sonho compartilhado entre cinco, seis pessoas? Depois da sessão de jogo ficam as memórias, muitas vezes mais vívidas do que as deixadas por um filme ou até mesmo por uma situação real. Memórias não ligam para as barreiras entre real e irreal.