Feche seus olhos, o que você vê?
Leva um tempo pra conseguir crer
Sinta o vento beijando seu queixo
Segure as lágrimas, faça um desejo
Agora sonhe, respire...
- Angra, Wishing Well
Bem-vindo ao semiplano onírico, um lugar delimitado pelas bordas irregulares do subconsciente de um deus dormente, onde a linha que separa sonho e realidade é cortada por uma imaginação afiada e abastecida diretamente pela matéria do Caos Elemental.
Aqui arquitetos ousam construir cidades sobre os ombros de gigantes, guerreiros valorosos são protegidos por armaduras vivas e escadarias mágicas levam até as luas.
O que é este livro
Este livro oferece a base para você, narrador, utilizar o cenário de campanha de Aldetoron em sua mesa de RPG. Você também pode utilizá-lo caso esteja buscando inspiração para incluir elementos oníricos em sua própria campanha, mesmo que não esteja narrando uma crônica em Aldetoron.
Você não encontrará referências a regras neste volume. Adaptações para sistemas de regras serão disponibilizadas em publicações específicas.
O livro cobre todos os aspectos do mundo de Aldetoron separados por capítulos e tópicos, sem no entanto seguir uma sequência obrigatória. Não importa se você o lê do início ao fim ou se seleciona as seções que mais lhe interessam – nestas páginas estão as informações necessárias para dar vida ao cenário.
Uma nota sobre as palavras
No decorrer do livro aparecerão palavras escritas no idioma zarlia, o idioma comum de Aldetoron. Elas estarão em itálico, exceto os nomes de lugares e pessoas.
Na pronúncia, a sílaba forte é a penúltima, exceto nas palavras terminadas por consoante, cuja sílaba forte é a última.
O plural é indicado pelo final “en”.
Para saber mais sobre o idioma, consulte o Capítulo 1 (ou
este link, para ver online).
Estilo: Fantasia Onírica
Muitas vezes, caminhar pelas paisagens de Aldetoron é como sonhar. Apesar das coisas serem bem sólidas, da gravidade agir normalmente e da comida ter a aparência, cheiro e gosto esperados, muitos locais, criaturas e situações parecem realmente ter vindo de pinturas surrealistas ou do país das maravilhas de Alice. A isso os estudiosos deram o nome aldenago, que quer dizer “influência onírica”.
Somente próximo das multidões e das cidades é que as paisagens são menos surreais. Isso se deve à concentração de intelectos, que mantem os arredores consistentes e inteligíveis. Essa regra, no entanto, não vale nas épocas de Pesadelo (chamados astalde), quando o inconsciente de Aldetor toma as rédeas do mundo e mesmo as grandes metrópoles se sujeitam à influência onírica.
Os teóricos dizem que quando uma criatura dorme, sua mente entra em um processo semelhante ao de uma divindade quando dá origem a um mundo – um ato de criação imaginativa. No entanto, sem a matéria bruta do Caos Elemental para moldar, os sonhos existem somente como pensamentos e são como sombras coloridas.
Assim são os sonhos de qualquer criatura. Mas não os de um yastash. Os yastash são portais vivos para o Caos Elemental. E mais do que isso, são reatores capazes de conduzir a fúria primal dos elementos e moldá-los em semiplanos através de seus próprios sonhos. Em outras palavras, eles materializam seus sonhos à medida que acontecem.
Mas um yastash não para nunca de sonhar. E como não são efêmeros, seus sonhos mais recentes ficam literalmente por cima dos mais antigos, formando novas camadas sobre os lugares de sonhos passados. E essas lembranças formadas de matéria vão afundando e transformando-se em grandiosas galerias subterrâneas nas profundezas do inconsciente.
Dizem que após incontáveis eras, quando o semiplano fica completamente preenchido, a parte mais baixa toca o Caos Elemental e se quebra, criando um vórtice que atravessa todas as camadas superiores até romper o próprio corpo do sonhador, matando-o afinal.
Aldetor é um yastash, e o semiplano resultante de seus sonhos é conhecido como Aldetoron. Ainda muito novo, Aldetor teve somente seis sonhos completos. O sétimo sonho (ou sétimo ciclo, como se diz) é o foco deste livro.