segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um sistema de regras para Aldetoron

Comecei a pensar, ainda hoje, na possibilidade de um sistema de regras próprio para Aldetoron. Sempre utilizei D&D nessas crônicas (3ª edição, edição 3,5 e 4ª edição), pois é meu sistema favorito. Mas chega uma hora que a gente pensa se é capaz de criar um sistema de regras, e isso é ainda mais desafiador quando queremos que essas regra se amoldem a um cenário específico.
Gosto muito de regras e adoro pesquisar sistemas diferentes. E me sinto atraído pelas diversas formas que os dados podem ser usados para gerar números, como os valores interagem e como os resultados são interpretados.
Para chegar a algum lugar parti das seguintes observações:
  • O sistema não deve ser genérico, pois temos sistemas genéricos de sobra.
  • Números-alvo fixos são práticos, mas chatos. Os personagens deveriam influenciar seus próprios números-alvo, baseados em medos, superstições e preconceitos. Assim, um mesmo muro teria dificuldades diferentes para ser escalado por diferentes personagens, pois além da força física nos importa saber se o personagem tem medo de altura, por exemplo.
  • O sistema precisa ter suporte à influência onírica de Aldetoron. Lugares que causam alucinações, dejavu ou estímulo sexual devem afetar as rolagens de dados, e não somente a narrativa.
  • Conflitos sociais devem ser tão emocionantes quanto combates.
  • Dados multifacetados são legais. Muita gente gosta de criar sistemas usando somente o d6 (ou somente cartas), mas acho que isso tira um pouco da magia do RPG, principalmente de quem começou jogando D&D.
  • Customizar personagens é legal, mas listas gigantes não são legais (a não ser que você tenha um character builder). Além disso, nem todo mundo gosta de aprender um sistema novo, principalmente se ele for extenso. Um sistema elegante e completo não precisa ser gigante.
  • Trabalho em equipe bem amarrado no sistema.
  • Ordem de ação baseada em prioridade em vez de iniciativa. Os personagens vão interrompendo as ações dos outros, o que faz com que todos os jogadores precisem ficar ligados o tempo todo.
Após essas considerações, um esqueleto se formou contendo uma possível base para esse sistema:
  • Atributos representados por tipos de dados (d4, d6, d12 etc.).
    • Atributos "bons" como carisma, determinação, força etc.
    • Atributos "ruins", ou defeitos, como medo, preconceito, deficiência etc.
  • Atributos bons (potencial) rolados contra atributos ruins (dificuldade).
  • Perícias, equipamento e demais condições favoráveis melhoram a rolagem dos atributos bons.
  • Condições desfavoráveis melhoram a rolagem dos atributos ruins.
  • Influência onírica rolada pelo narrador, causando efeitos caso o resultado seja maior do que a rolagem dos atributos bons ou dos atributos ruins. Também pode agir em determinado momento na rodada, interagir com determinados números que caem nos dados ou ter outros efeitos metajogo.
  • Prioridade de ação baseada na margem de sucesso (diferença entre rolagem boa e ruim). Os personagens com os piores valores agem primeiro e vão sendo interrompidos. Isso pode gerar uma corrente de interrupções.

5 comentários:

PedroAlCosta disse...

Bem legal, Draco, principalmente a parte das interrupções e alterações que a influencia onírica pode causar, a dinâmica dos encontros deve variar bastante.
Gostei bastante da ideia.

PedroAlCosta disse...

PS - Já pensou em usar um pouco das regras de houses of the blooded? Como parte de influência onírica

Alexandre Ðraco disse...

Que parte de Houses? Pensei em usar um esquema de apostas, é isso que vc está falando?

PedroAlCosta disse...

Não exatamente nisso, eu estava pensando na forma como os jogadores podem influenciar na história e nos acontecimentos.

Alexandre Ðraco disse...

Sinceramente acho que os sistemas narrativos deixam os jogadores mexerem "demais" na história. Um meio termo (acho que) seria mais legal. Por exemplo, o jogador faria uma rolagem com os atributos adequados para _provocar_ ao invés de _inventar_ coisas no cenário.
Ontem fiz uns testes de rolagens com a Maíra e saíram umas ideias legais!