segunda-feira, 28 de março de 2011

Jogamos o indie FIASCO (report da sessão incluso)

A indústria indie tem muito do que se orgulhar. RPGs com sistemas bem fechadinhos, ambientados em cenários bem específicos e com preços bem baixos (geralmente em torno de 10 dólares) são boas opções para quem quer variar na mesa de jogo.
FIASCO tem uma proposta muito interessante: emular aqueles filmes cheios de personagens inter-relacionados e situações que começam a dar muito errado do meio para o final da história. Tipo "Queime depois de ler" e todos aqueles filmes estilo Irmãos Coen e Guy Ritchie.
O jogo começa com uma espécie de "ficha do grupo". Explico: em vez de uma ficha por personagem, FIASCO tem uma grande ficha de jogo (geralmente feita em uma lousa branca e canetinha piloto), com detalhes dos relacionamentos entre os personagens dos jogadores, bem como objetos, lugares e necessidades ligadas a esses relacionamentos. Os nomes, sexo e profissões dos personagens somente são definidos após essa etapa, que é o setup do jogo.
Depois o jogo é dividido em dois atos separados por um tilt, que é uma reviravolta na história definida por dados e tabelas. E depois do segundo ato vem o aftermath, basicamente aquele epílogo dos filmes em que aparece uma foto e uma legenda (Fulano ficou milionário vendendo verduras, Beltrano foi preso após ser pego com drogas e por aí vai), definido pela rolagem dos dados acumulados nas quatro rodadas.
O sistema é totalmente voltado para a narrativa. Durante as duas rodadas de cada ato (total 4 rodadas), cada jogador escolhe se vai definir ou resolver a cena de seu personagem. No primeiro caso ele "dirige" a cena e coloca os elementos que quiser, mas são os outros jogadores que decidem se ele vai ou não ser bem sucedido. Por outro lado, se decidir resolver, ele escolhe o final de uma cena montada pelos outros jogadores. Pode até parecer simples demais, mas existe toda uma mecânica que envolve a moeda do jogo: dados pretos e dados brancos (no nosso caso usamos vermelhos e amarelos, o importante é diferenciá-los). Assim, um certo fator estratégico (que não vou explicar aqui) empurra as suas decisões além do simples fato de você querer ver aquele personagem se dar bem ou mal.
Outra grande sacada são os playsets, que são cenários prontos para servires de plano de fundo para a história. Cada playset tem suas próprias tabelas para geração de relacionamentos (e os respectivos lugares, objetos e necessidades). Um subúrbio, o velho oeste, a guerra fria ou a Europa medieval. E a cada mês tem novos playsets no site oficial.

Nosso jogo
Em nossa sessão de teste, após uma rápida explicação das regras, montamos a história dos personagens de acordo com o playset do subúrbio (incluso no livro).
  • Jenniffer: uma oficial de condicional que queria pegar a Australiana, figurona do crime local, enquanto cuidava da liberdade condicional de Jeremias.
  • Australiana: criminosa que chegou à liderança por um acidente do destino (o chefão anterior morreu após cair e bater a cabeça em uma quina, mas todos acham que ela o matou).
  • George: rufião com um ponto em um trailer semidestruído, com o objetivo de ficar rico e sair de lá.
  • Jeremias (eu): criminoso wannabe do bando da Australiana, em condicional sob os cuidados de Jenniffer. Ele precisa esconder o cadáver de um jogador de hóquei que sucumbiu às drogas e morreu por causa da dívida.
Só de ver isso aí já dá para notar que essa mistura tem tudo pra dar errado! A Australiana arruma briga com um traficante por causa do corpo do jogador de hóquei, que ela queria despachar no território alheio. Após um acordo, Jeremias guarda o cadáver e esconde uma câmera filmadora - seu objetivo é convencer a policial Jennifer (sua oficial de condicional) a praticar necrofilia, filmando tudo para sujar sua carreira.
O problema é que o corpo some por causa da coleta de lixo, e a irmã do jogador morto aparece querendo enterrar o irmão dignamente. Sem o corpo, a moça acaba com a gangue da Australiana, que por sua vez quer dar um fim em Jeremias por ele ser um capanga muito besta.
No fim só George se dá bem, apesar de ter ganho e perdido muita grana. A Australiana é presa, Jeremias morre e Jennifer transa com o corpo dele (huahuahuahau).
Curti demais o jogo e espero jogá-lo mais vezes. É relativamente rápido, frenético e selvagem. E bem baratinho também!
E se você quiser jogar em português (e ainda pagar em reais), em breve teremos uma edição brasileira pela RetroPunk (prevista para o RPGCon no meio do ano).

2 comentários:

Gran Kain disse...

Já tinha ouvido falar desse jogo, poxa parece divertido. Faça outro post mais apronduado. Fiquei curioso com as regras, quanto tempo levou a partida?

Alexandre Ðraco disse...

As regras são um pouco chatinhas de explicar em um post, mas basicamente você recebe um dado por turno, que pode ser preto (falha) ou branco (sucesso). No fim di jogo não importa se a maioria dos seus dados é preto ou branco, desde que você role um valor alto. Pretos e brancos se cancelam, ou seja, se você tiver cores muito equilibradas com certeza seu personagem vai se dar MUITO mal no final.
Nossa partida levou umas 3 horas, e nesse período construímos praticamente um filme completo com começo, meio e fim!