quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Projeto 99-222 - parte 36

[Leia a parte anterior] [Leia do começo]

Diário de William "Dourado" Goldblood II
O sol sumiu como se engolido pelas nuvens dançantes, seus raios luminosos dando lugar a desdenhosas correntes de ar quente que pareciam estapear meu rosto com desprezo. Formas vis moldavam-se e metamorfoseavam-se, fazendo das céleres nuvens sua matéria-prima.
    O negrume que se seguiu foi tão profundo que não se podia chamar de noite, pois a grande lua Maya também desaparecera completamente, levando consigo seu brilho prateado. E enquanto meus olhos procuravam se acostumar com a escuridão, pontos brilhantes iam surgindo pelo firmamento: vermelhos, azuis e dourados, e dali a pouco também todas as outras cores. Mas não eram estrelas. As estrelas continuavam visíveis atrás daquilo tudo, quase escondidas de terror. Aquelas coisas eram luas, centenas delas, cada uma refletindo a luz das estrelas e mostrando suas próprias cores. Luas do Pesadelo; criações nefastas do subconscinte perturbado de Aldetor, nosso deus sonhador. Algumas apareceram bem próximas, quase do mesmo tamanho de Maya.
    A seguir, rastros luminosos começaram a surgir em meio à já caótica cena celestial, como estrelas cadentes ou caudas de cometa. Mais tarde vim a descobrir que eram escadarias - cada uma ligando uma lua ao chão desta terra. Pois é assim que as criaturas de Pesadelo chegam até aqui embaixo. Elas descem de suas luas por escadas.

* * *

Os deuses se contorciam em agonia e dor, mas uma felicidade insana se juntava à explosão de sensações. Seus corpos se transformavam para revelar suas novas personalidades, metamorfoseando-se como insetos em uma cena insólita. Os sete balbuciavam, gritavam, gargalhavam e gesticulavam para si mesmos enquanto novas feições emergiam de suas carnes, alterando completamente seus aspectos.
    - Coça - cuspiu Egzarot, esfregando o rosto com as unhas até não sobrar nada além de um crânio lustroso. Seus cabelos ruivos cresceram até a base das costas, agora sobrenaturalmente lisos e negros [antes/depois].
    - Aah, Egzarot - chamou Baeva [antes/depois], lambendo os lábios. - Vem aqui cuidar do meu fogo que eu preciso de um homem agora!
    - E você foi pedir um favor desses para o deus da preguiça? - questionou Asshadakma [antes/depois], cuja carranca profundamente vincada indicava a mudança da paciência para a ira. - A deusa da luxúria merece mais pressão do que aquele esqueleto é capaz de oferecer.
    - Deixa eu ver do que você é capaz - exigiu Baeva, livrando-se apressadamente de sua armadura.
    Malivya, por sua vez, havia derretido até atingir a metade de seu tamanho normal. E dentre as bolhas espumantes surgiu uma menina que não parecia ter mais do que 10 anos [antes/depois]. Ela olhou com indiferença para o casal de deuses, que se enroscavam como babuínos de Lushma, e caminhou até o deus-caveira.
    - Egzarot, seus óculos escuros... - sugeriu ela com a voz fina e irritante. - Esses olhos vazios dão medo - confessou.
    - Estão neste bolso. Faz o favor de colocar no meu rosto? Estou com uma fraqueza insuportável.
    - Vai te catar sua caveira preguiçosa, tenho mais o que fazer! - explodiu a menina. - Coloca os óculos! COLOCA AGORA!
    Ali perto Villia ainda mantinha sua aparência normal, com os cabelos alvos e as orelhas pontudas. Ela suava em abundância e estava agachada, apoiando-se em um dos seus escudos. Seus gritos pareciam não incomodar os outros, e ela continuava gritando como uma forma de tentar evitar sua transformação. Ou pelo menos retardá-la.
    Ver seus companheiros naquelas formas, no entanto, minava todas as suas forças e a cada segundo ela se sentia mais inflada. Suas roupas sufocavam a ponto de ela não conseguir mais emitir som algum, até que finalmente Villia assumiu a forma roliça da deusa da cobiça. Um sorriso pavoroso se abriu, quase tão grande quanto a distância entre suas orelhas, exibindo dentes estranhos mergulhados em enormes gengivas inchadas [antes/depois], e ela riu alto ao pensar nas riquezas que estava prestes a obter. Sua  barriga tremulava com o surto hilariante e logo contagiou os outros.
    Pavudari, já na forma decrépita do deus da gula [antes/depois], ria como podia através dos dentes podres, e somente Laeate [antes/depois] permanecia afastada, se perguntando como aquele bando de palhaços poderia estar feliz durante um Pesadelo. Mas no fundo ela queria rir também e só estava com inveja deles. E então ela se lembrou de algo importante:
    - Precisamos encontrar Aldetor.

Muito longe dali, o Sonhador permanecia preso em um grande artefato haika que o impediria de sair até o final do Pesadelo. Naquele momento ele estava tão louco quanto os sete deuses e queria, mais do que tudo, sair daquela prisão.
    Do lado de fora, um pelotão de haikas em seus mechas rondava o perímetro para se certificarem de que nada atrapalharia a construção da pequena cidade que seria seu novo lar. Eles sabiam que deveriam proteger a gigantesca estrutura mecânica em meio às obras, apesar de não terem idéia de que  o próprio Aldetor estava lá dentro.

[Leia a próxima parte]

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Microsoft Surface e D&D - Tudo a Ver!

Aaaah, não creio que vou viver para ver isso! Eu quero! Me dá um!!
É simplesmente perfeito e, quando virar produto final, vai agilizar muito os combates e deixar mais tempo para roleplay. E ainda dá pra usar miniaturas reais! Juro que já pensei em instalar um projetor no teto pra facilitar na hora de usar mapas, mas isso... Oh my...

Clica em play, porra!


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Projeto 99-222 - parte 35

[Leia a parte anterior] [Leia do começo]

Yoshua não havia concebido as correntes, as quais deu de presente a Devdas através de seu avatar onírico Vadris, para simplesmente controlar o corpo da jovem guerreira. Seu objetivo era criar um vínculo empático que permitisse uma ligação permanente com o mundo-sonho, de modo que ele pudesse acessá-lo qualquer que fosse a distância entre seu corpo físico e o de Aldetor. Bastava simplesmente dormir.
    Seu esforço se mostrou útil quando Jocasius pediu a ele o favor de provocar o início do Pesadelo em Aldetoron, ganhando assim o direito de livre entrada naquele mundo a qualquer momento, mesmo durante um Pesadelo. Essa "bênção" privilegiada fora garantida por um amigo de Jocasius, nada menos do que um deus cuja identidade ainda era um mistério.
    A prisão a que era submetido, portanto, nada significava enquanto ele pudesse dormir e ir a Aldetoron. Ele passava quase todo o tempo dormindo, vivendo através de sua segunda (e preferida) identidade.
    Mas seu vício havia se tornado a ruína de seu corpo, que sofria de fome e sede. O passar dos dias drenava a carne dos seus ossos em ritmo acelerado e, quando acordava, Yoshua se via em condições precárias em meio aos próprios dejetos. Isso o levava a dormir novamente para escapar da inaceitável realidade, e assim entrou na espiral descendente rumo à própria morte.

Um dia se viu acordando subitamente, como se tivesse sido expulso de seus sonhos. Ele tentou adormecer, em vão, e se assustou com a dificuldade que teve para se colocar de pé. As grades frias estimulavam o tato que deixara de utilizar, provocando um forte formigamento, e ao ver suas mãos manchadas pelo processo de inanição, teve a revelação de que havia ido longe demais.
    Tentou engolir alguma saliva, mas não havia nenhuma. O movimento da garganta provocou um ardor terrível, como se estivesse revestida com areia.
    O pânico finalmente foi instaurado quando ele não conseguiu pedir ajuda. Seus dedos tremiam e a boca dava a sensação de estar inchada, como se os lábios rachados tivessem muitos centímetros de espessura. E ao apalpar o interior da boca com as pontas dos dedos, o estado da pele deu a ilusão de que os dentes estavam moles, o que colaborou para a cena de desespero cego que se seguiu.

Logicamente Yoshua estava sendo observado o tempo todo pela Inteligência Artificial ALMA. A consciência sintética analisava friamente o estranho comportamento do prisioneiro, que ignorava a existência de água e comida no compartimento ao lado de seu leito. As leituras dos sinais vitais continuavam motivando-a a enviar relatórios constantes à equipe médica, com requisições de intervenção. Mas havia ordens expressas do general Haziel Slarus para que Yoshua fosse deixado sozinho, "meditando o quanto quisesse". A atitude do soldado era interpretada como uma afronta pelo general, cujo orgulho o impedia de atribuir a contínua "meditação" de Yoshua ao fato do homem estar, na verdade, dormindo e visitando Aldetoron.
    A atual situação de Yoshua, que finalmente se movia pela cela, desencadeou na ALMA a geração de relatórios extras que chegaram diretamente ao general Haziel.
    - O prisioneiro finalmente se deu por vencido - disse o general a si mesmo, em meio à solidão acizentada de seu escritório. Havia muito tempo que ele não considerava seus silenciosos guarda-costas mecânicos como "companhia" propriamente dita. Aliás, fazia um bom tempo que não os via sequer mover um membro metálico, exceto durante os cumprimentos que foram programados para realizar a cada entrada ou saída do militar.
    - ACIONAR EQUIPE MÉDICA, GENERAL? - quis saber ALMA.
    - Sim. E que ele seja limpo também.

Mais tarde, Yoshua foi levado aos aposentos do general. O semblante frio de Haziel Slarus estava quebrado pelas rugas provocadas por contrações faciais que formavam um estranho sorriso vitorioso. Os dois soldados que o haviam trazido se retiraram após deixarem Yoshua sentado na bela cadeira estofada destinada a visitantes.
    - Oficial Yoshua, vejo que se esforçou bastante para manter aquela sua meditação. Você conseguiu passar dias sem comer ou beber.
    "Eu não estava meditando", pensou Yoshua. "Estive em belíssimos lugares em um mundo bem diferente desta enorme cápsula de metal que carrega pelo espaço os resquícios de uma espécia conhecida como ser humano".
    - Você deve se lembrar - continuou o general - que decidi prendê-lo enquanto eu analisava o diário que você mantinha em segredo, contendo descobertas significativas sobre o misterioso mundo de Aldetoron. E o mantive preso longe de onde se encontram os alienígenas, de modo que você não pudesse ter acesso àquele mundo mesmo utilizando suas "técnicas de sonhos lúcidos".
    - Sim, senhor, eu me lembro - concordou Yoshua, sorrindo por dentro pela sorte de não ter tido tempo de colocar no diário muitos detalhes sobre as funções das correntes que dera à guerreira Devdas.
    - E você acha que está preparado para voltar às suas funções?
    - O... o quê? - espantou-se Yoshua. Ele temia não ter ouvido direito. - Voltar ao trabalho?
    - Exatamente. Seria tolice eu ignorar a relação que você criou com o alienígena Aldetor, bem como seria um desperdício perder alguém tão dedicado ao Projeto 99-222 como você.
    Yoshua permanecia pasmo, mas entendia as motivações do general e continuou ouvindo.
    - Você voltará ao trabalho e logicamente será vigiado. Durante sua ausência o oficial Anders o substituiu no projeto, e vou colocá-los para trabalharem juntos para me certificar de que nenhuma descoberta será feita isoladamente.
    Alguns segundos se passaram após a silenciosa afirmativa de Yoshua, e o oficial sentiu que aquele era o momento certo para tentar esclarecer uma antiga questão:
    - General... - começou ele, subitamente intimidado por aquele olhar frio que voltava a cruzar com os seus.
    - Diga, oficial.
    - Para que o senhor deseja utilizar o mundo-sonho de Aldetoron para treinar soldados se...
    - Se...?
    - Se não temos inimigos?
    A questão permaneceu no ar, e o general virava os olhos quase aleatoriamente como se perseguisse um inseto invisível. Ele continuou ali, de pé, imóvel exceto pelos perturbadores olhos. Yoshua achava que o general tinha a resposta na ponta da língua, mas talvez fosse uma resposta tão complexa que não podia ser dita sem distorcer o real significado. Afinal, que outro motivo faria uma pessoa pensar tanto tempo ates de falar? E o que ele olhava em volta?
    - Nós temos inimigos - respondeu finalmente, sem no entanto parar de perseguir o inseto invisível com com a visão. Yoshua então notou que o olhar do general seguia um padrão, sempre mirando os mesmos quatro pontos: sua mesa, os dois androides guarda-costas e um ponto no teto, no meio do aposento, onde havia um dos incontáveis olhos da ALMA que permitiam à inteligência artificial vasculhar toda a EU.
    - Então existe uma ameaça - insistiu Yoshua.
    - Sim, existe. Passar bem, oficial Yoshua. Em breve conversaremos novamente.

[Leia a próxima parte]

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Iniciativa 4e: A Boneca do Atropal

Os posts da Iniciativa 4e são sempre conjuntos e temáticos, a serem publicados quinzenalmente. Assim, vários aspectos de um mesmo assunto serão cobertos por diferentes autores (veja os links no final do post), dando origem a um suplemento periódico.
O tema desta 19ª edição da Iniciativa 4e é Crianças e para ele confira, a seguir, um novo artefato!

A Origem da Boneca

Sentimentos controversos inundam a mente de qualquer criança à medida que ela cresce. O ambiente à sua volta revela contrastes de cores, personalidades e caráter. Os pais, no entanto, permanecem "santificados" e colocados em uma posição privilegiada em meio à confusão com a qual os filhos têm que aprender a lidar. São modelos a serem seguidos e, portanto, supostamente perfeitos.
Quando os defeitos dos pais são revelados aos olhos amadurecidos, a infância começa a chegar ao fim com a erosão dos pilares da inocência.

Uma criança abandonada, por outro lado, descobre muito cedo que seus projenitores também possuem defeitos. E essa é uma descoberta que destrói a infância cedo demais.

O Atropal é o filho abortado por uma divindade, pois sua concepção foi indevida. Ele foi deixado de lado, mas sua centelha de vida divina o impediu de simplesmente morrer. Assim, na mais completa escuridão da caverna mais profunda, o Atropal não tem nada a fazer senão perguntar-se "por quê". Seu corpo incompleto permanece como o de um feto, mas sua infância foi desintegrada antes mesmo de existir.

Juntando sujeira, o Atropal fez uma boneca à imagem de sua mãe. Após algum tempo ele a perdeu, e é eventualmente encontrada por um grupo de aventureiros.

Utilizando a Boneca

Note que a pontuação inicial da concordância deste artefato é 0, ou seja, enraivecida. Aplique os efeitos assim que os aventureiros encontrarem a Boneca! Eles deverão reencontrá-la para voltarem ao normal, lembrando que a concordância pode melhorar ou piorar enquanto a busca continua.
Assim que chegar a uma concordância 5, a Boneca é reencontrada.
A Boneca sempre escolhe o personagem mais jovem do grupo para ser seu mestre.

Boneca do Atropal Nível Heróico
Esta boneca feita de material dificilmente identificável (cabelo, pano, sujeira e restos de criaturas mortas) representa, por incrível que pareça, uma linda mulher de cabelos longos.
Item Maravilhoso
Propriedade: Você ganha visão no escuro.
Propriedade: Você ganha um bônus de +2 em testes de Diplomacia e Intuição quando interage com crianças de qualquer raça.
Poder (Sem Limite): Ação de Movimento. Você diminui em uma categoria seu próprio tamanho tamanho. Seu equipamento e habilidades permanecem inalterados, mas seu deslocamento é diminuído em 2 quadrados.
Poder (Diário): Ação Padrão. Todas as criaturas em uma explosão contígua 3 têm seu tamanho reduzido em uma categoria, juntamente com todo o equipamento. Elas conferem vantagem de combate até o final do seu próximo turno e sofrem uma penalidade de 2 quadrados no deslocamento. O efeito encerra após um descanso curto.

Objetivos da Boneca do Atropal
  • Ajudar crianças a aproveitarem suas infâncias.
  • Castigar aqueles que prejudicam crianças.
  • Mostrar que o crescimento precoce é prejudicial.
Interpretando a Boneca do Atropal
A Boneca é capaz de andar e expressar linguagem corporal, e se comunica por telepatia através de uma voz sussurrada, de gênero indistinguível. Na maior parte do tempo, porém, ela permanecerá imóvel e calada, de modo que qualquer interação tenha um ar misterioso e até mesmo terrível. Ela permanecerá com um mestre até que tenha sido capaz de ensinar algumas lições sobre crescimento e desenvolvimento.

Concordância
Pontuação inicial 0
Usuário ajuda uma criança (máx. 1/dia)
+1d6
Usuário sofre os efeitos de uma ilusão +1
Usupario é uma criança +2
Usuário prejudica uma criança -2
Usuário ganha um nível -1

Contente (16–20)
"Posso ser um adulto, mas minha infância é uma fonte de alegrias em minha memória."
    Em seus sonhos, o usuário é capaz de se comunicar com o Atropal. Ele compartilha uma pequena fração da experiência infantil que o usuário viveu, apesar de isso não ser suficiente para apagar sua amargura.
Propriedade: O bônus em Diplomacia e Intuição no trato com crianças aumenta para +5. Além disso, um bônus de +3 em Diplomacia é garantido para quisquer interações.
Poder (Encontro): Ação Livre. Use um pulso de cura.

Satisfeita (12–15)
"Começo a compreender por que as crianças sorriem tão sinceramente."
    A Boneca parece estar sorrindo.
Propriedade: O bônus em Diplomacia e Intuição no trato com crianças aumenta para +3. Além disso, um bônus de +2 em Diplomacia é garantido para quisquer interações.
Poder (Diário): Ação Livre. Ganhe um ponto de ação.

Normal (5–11)
"Devo encontrar uma forma de ajudar os pequenos indefesos."
    Uma aura peculiarmente morna revela o aceite da Boneca. Ela quer ajuda para fazer algumas coisas.

Enraivecida (4 ou menos)
"Me sinto como uma criança. Minha roupa está tão larga..."
    A Boneca desaparece em pleno ar. Ela é vista ao longe de vez em quando, andando com as próprias pernas.
Propriedade: Você e todos em um raio de 9 metros (6 quadrados) são transformados em crianças. Os tamanhos são alterados para "pequeno", com todas as implicações decorrentes (como utilização de armas). Os atributos permanecem inalterados e todo o equipamento permanece com o tamanho original.
Especial: o usuário (ou alguém dentre os afetados) precisa reencontrar a Boneca para encerrar este efeito, o que só acontecerá, de fato, quando a concordância chegar a 5. Nesse período de busca, aplique os efeitos de ganho e perda da tabela de concordância.

Indo Embora
"A infância é um período importante. Muitos não tiveram a oportunidade de aproveitá-la."
    Quando julgar adequado, a Boneca partirá tão misteriosamente quanto apareceu. Caso vá embora satisfeita ou contente, o usuário ganha um bônus permanente de +1 em Diplomacia, ou +2 quando lidando com crianças de qualquer raça.
Ela pode decidir partir caso o valor de concordância chegue a -5 ou menos. Nesse caso a Boneca se desfaz em suas mãos, deixando uma mancha de sujeira impossível de ser removida.

Em Aldetoron

O Atropal é, em Aldetoron, uma entidade quase tão antiga quanto o próprio mundo-sonho. Ele surgiu logo após o início do 1º ciclo, quando Aldetor se sentiu atraído pela deusa Maliah, que ele mesmo havia criado.
Maliah, no entanto, havia sido criada à imagem da própria mãe de Aldetor, e Maya julgou inaceitável esse relacionamento. Sua providência imediata foi isolar o bebê, que mesmo abortado permaneceu vivo devido à sua herança divina.

Com o passar dos ciclos, cujos novos mundos são construídos acima das ruínas do anterior, o Atropal foi sendo soterrado pela crescente masmorra de Doratraks.
Essa entidade está presente no conto Projeto 99-222 (clique aqui para ver o índice de contos). Veja aqui a primeira aparição do Atropal na história.

Artigos Parceiros da Edição 19

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Projeto 99-222 - parte 34

[Leia a parte anterior] [Leia do começo]

Após alguns minutos, murmúrios abafados tentavam, em vão, viabilizar algum tipo de comunicação. O aperto piorava a cada respiração de Gumbaldak, que forçava todos mais ainda contra as superfícies de rocha.
    Do lado de fora, Fergus Gancho Aéreo gargalhava enquanto observava a situação. Sua densa barba tinha um tom roxo, e tudo o que dava para ver de seus cabelos eram umas poucas tranças que saíam por baixo do enorme chapéu com o símbolo da caveira. Seu braço direito era um emaranhado de peças metálicas e fios coloridos, que soltavam algumas faíscas brilhantes vez ou outra. E na extremidade havia três grandes ganchos móveis que se comportavam como dedos. Seu bafo alcoólico tinha vestígios da carne crua de sua última refeição.
    Ele não partiria sem o restante de seus tesouros, mas não via problema algum em ficar ali para descobrir como terminaria aquela cena bizarra. Tudo o que era possível ver de cima do convés era um par de narinas reptilianas gigantes tampando completamente a entrada da caverna. Em volta, Fergus podia ver as outras aberturas em volta do vulcão, com muitas das plataformas de aterrissagem já vazias. O navio voador de Gamarrus Barba Metálica queimava na plataforma mais elevada, os mastros como grandes velas de aniversário sobre o bolo de tesouros do pirata companheiro.
    Mas ninguém havia ateado fogo naquele navio. Fergus constatou, com uma terrível conclusão, que o vulcão havia entrado em erupção! O tremor que ele vinha percebendo havia sido, em sua opinião, causado pela horda de gigantes que invadiam o complexo. Mas agora ele notava que as pesadas passadas dos gigantes licantropos estavam camuflando a erupção iminente da Boca de Fogo, e a lava começava a escorrer livremente, liberando eventuais bolas de fogo que pousavam em aeronaus e na mata abaixo.
    - Shwarshamash quer dar um passeio, yo-ho! - gritou o capitão Fergus para a parte de sua tripulação que estava com ele.
    - Shwarshamash, o titã de lava! - gritou um pirata.
    - Ele quer dar um passeio! Mas está saindo pelo lado errado da Boca de Fogo! - percebeu um pirata sem nariz.
    - Os gigantes devem ter deixado ele nervoso! - supôs outro pirata, cujas orelhas eram, na verdade, pequenas antenas de rádio.
    Os piratas tentavam acalmar uns aos outros através de gritos, e a grande preocupação era com o fato do titã de lava, que morava do vulcão, estar saindo pelo lado com maior concentração de plataformas de aeronaus em vez de sair pelo lado costumeiro, que os piratas haviam deixado livre para sua eventual circulação. Não era raro Shwarshamash sair, rolando pesadamente pela encosta e deixando um rastro de fogo líquido até a base do vulcão. A grande verdade, portanto, era que Shwarshamash constituía, em si, as erupções vulcânicas da ilha Sauria.
    - Içar velas laterais! Recolher Gancho! Preparar para partida imediata!
    Um uivo grotesco cortou o ar.
    - O que foi isso? - perguntou um pirata com olho mecânico.
    Era Gumbaldak. Ele soltava gritos frenéticos de dor, como se alguém estivesse abrindo túneis dentro dele com uma serra elétrica. E era exatamente isso que Dourado, o clérigo de Egzarot, estava fazendo para garantir a sobrevivência de seus companheiros. E quando algum osso especialmente duro ficava em seu caminho, ele apertava o gatilho de sua baioneta para esmigalhar o obstáculo.
    Logo o gigante voltava à forma normal, e desta vez ele estava morto.

- Capitão, a caverna está aberta de novo. Pegamos o resto do tesouro? - quis saber o imediato, instigando a dúvida. Tesouro ou segurança?
    - Peguem o tesouro! - ordenou Fergus, e a prancha voltou a ser solta para permitir a movimentação na plataforma abaixo.
    Anidro foi o primeiro a se levantar, notando a entrada dos piratas. Eles pareciam nem notar sua presença, tamanha a pressa em pegar logo as caixas e objetos espalhados pelo chão inundado de sangue. E então uma olhada para o exterior revelou uma surpresa.
    - Vejam, são as filhas da baronesa! Eda e Cyst!
    Dourado desligou a serra e deixou a arma de lado, totalmente exaurido. Seus olhos confirmaram o que o pequeno paladino dizia.
    - Mas... Elas estão livres, no convés! - resmungou o clérigo. - Elas não estão nem mesmo com as mãos amarradas! EI, VOCÊS DUAS! - gritou, esforçando-se para caminhar até o lado de fora.
    O capitão Fergus, notando a surpresa no rosto do desconhecido, resolveu falar alguma coisa.
    - Há! Você parece assustado!
    - Foi você quem roubou a torre da baronesa, com os tesouros e as filhas dela, não foi?
    - Oh-yaha!! Fui eu mesmo! - admitiu o capitão, inflado de orgulho.
    - E por que vocês estão com ele?? - perguntou Anidro, dirigindo-se para as duas moças. Elas se entreolharam e então abraçaram Fergus, uma de cada lado dele. Elas exibiam sorrisos assustado.
    - E quem são vocês? - quis saber Eda. Seus cabelos eram dourados como os da irmã Cyst, e o hálito como o orvalho perfumado da primavera.
    - Nós viemos... salvar vocês duas! - revelou Dourado, imediatamente entendendo que elas não iriam sair daquele navio voador. Elas de fato pareciam querer estar ali.
    - Nossas vidas eram muito chatas - confessou Cyst, causando uma explosão de risos em Fergus, que não se acanhou em apertar as nádegas da moça com a mão esquerda. - Ui!
    - E nossa mãe é uma vergonha para a cidade de Gwarer. Todos sabem que ela é uma piranha ambiciosa! - disse a outra, com os olhos começando a marear.
    - Vão embora, vocês dois - pediu Fergus, com voz grave e um tanto amistosa. - Não se preocupem com as moças. E digam à mãe delas que considere o tesouro roubado como um adiantamento da herança.
    - Mas... - começou Anidro, interrompendo a frase ao sentir a mão de Dourado no ombro.
    - LAAAAAVA! - gritou um pirata de perna mecânica antes de ser soterrado por uma carga de rocha incandescente. O baú que ele ajudava a carregar rolou encosta abaixo deixando uma trilha dourada, terminando em um impacto que revelou milhares de moedas de ouro.
    Dourado puxou Anidro para trás antes que um monte de escombros, seguidos pelo rio de lava, selasse a saída para a plataforma onde se encontrava a aeronau.

Resignados, Dourado e Anidro viram os piratas que ficaram presos com eles ascenderem tochas para espantar a súbita escuridão.
    - Paz, paz... - pediu um pirata com dentes metálicos ao perceber que os dois adotavam postura defensiva. - Estamos presos juntos aqui.
    - E ainda deve ter gigantes por perto - disse outro.
    Dourado foi verificar a situação de Devdas e Rham. A guerreira permanecia desacordada e protegida pelas correntes vivas, mas Rham estava morto.

[Leia a próxima parte]

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Radical "aruk"


[O que são Radicais?][Lista de Radicais]

Ideograma: O traço vertical à esquerda demonstra ponto de partida, enquanto o traço horizontal superior demonstra estabilidade no ritmo. O arco final sugere certa dinâmica, pois o ritmo lento da caminhada permite a tomada de decisões à medida que os eventos ocorrem. Além disso, o arco do lado da linha lembra duas pernas caminhando.
A ordem dos três traços é a seguinte:
  • Linha da esquerda, de cima para baixo;
  • Linha superior, da esquerda para a direita;
  • Curva, iniciando pela esquerda, com ligeira parada antes de descer e outra parada antes de subir.

Verbos [?]: andar, ir lentamente
Como verbo, este radical tem o sentido de caminhar sem pressa ou conduzir lentamente uma ação. O desenrolar natural das coisas, sem pressão externa.
Em tom pejorativo indica diminuição de ritmo.

Substantivos/Adjetivos [?]: perna, pé, devagar
Com este radical identificam-se coisas relacionadas a instrumentos de locomoção lenta, moderada.
Significados negativos incluem lentidão e procrastinação.