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Diário de William "Dourado" Goldblood II
O sol sumiu como se engolido pelas nuvens dançantes, seus raios luminosos dando lugar a desdenhosas correntes de ar quente que pareciam estapear meu rosto com desprezo. Formas vis moldavam-se e metamorfoseavam-se, fazendo das céleres nuvens sua matéria-prima.
O negrume que se seguiu foi tão profundo que não se podia chamar de noite, pois a grande lua Maya também desaparecera completamente, levando consigo seu brilho prateado. E enquanto meus olhos procuravam se acostumar com a escuridão, pontos brilhantes iam surgindo pelo firmamento: vermelhos, azuis e dourados, e dali a pouco também todas as outras cores. Mas não eram estrelas. As estrelas continuavam visíveis atrás daquilo tudo, quase escondidas de terror. Aquelas coisas eram luas, centenas delas, cada uma refletindo a luz das estrelas e mostrando suas próprias cores. Luas do Pesadelo; criações nefastas do subconscinte perturbado de Aldetor, nosso deus sonhador. Algumas apareceram bem próximas, quase do mesmo tamanho de Maya.
A seguir, rastros luminosos começaram a surgir em meio à já caótica cena celestial, como estrelas cadentes ou caudas de cometa. Mais tarde vim a descobrir que eram escadarias - cada uma ligando uma lua ao chão desta terra. Pois é assim que as criaturas de Pesadelo chegam até aqui embaixo. Elas descem de suas luas por escadas.
Os deuses se contorciam em agonia e dor, mas uma felicidade insana se juntava à explosão de sensações. Seus corpos se transformavam para revelar suas novas personalidades, metamorfoseando-se como insetos em uma cena insólita. Os sete balbuciavam, gritavam, gargalhavam e gesticulavam para si mesmos enquanto novas feições emergiam de suas carnes, alterando completamente seus aspectos.
- Coça - cuspiu Egzarot, esfregando o rosto com as unhas até não sobrar nada além de um crânio lustroso. Seus cabelos ruivos cresceram até a base das costas, agora sobrenaturalmente lisos e negros [antes/depois].
- Aah, Egzarot - chamou Baeva [antes/depois], lambendo os lábios. - Vem aqui cuidar do meu fogo que eu preciso de um homem agora!
- E você foi pedir um favor desses para o deus da preguiça? - questionou Asshadakma [antes/depois], cuja carranca profundamente vincada indicava a mudança da paciência para a ira. - A deusa da luxúria merece mais pressão do que aquele esqueleto é capaz de oferecer.
- Deixa eu ver do que você é capaz - exigiu Baeva, livrando-se apressadamente de sua armadura.
Malivya, por sua vez, havia derretido até atingir a metade de seu tamanho normal. E dentre as bolhas espumantes surgiu uma menina que não parecia ter mais do que 10 anos [antes/depois]. Ela olhou com indiferença para o casal de deuses, que se enroscavam como babuínos de Lushma, e caminhou até o deus-caveira.
- Egzarot, seus óculos escuros... - sugeriu ela com a voz fina e irritante. - Esses olhos vazios dão medo - confessou.
- Estão neste bolso. Faz o favor de colocar no meu rosto? Estou com uma fraqueza insuportável.
- Vai te catar sua caveira preguiçosa, tenho mais o que fazer! - explodiu a menina. - Coloca os óculos! COLOCA AGORA!
Ali perto Villia ainda mantinha sua aparência normal, com os cabelos alvos e as orelhas pontudas. Ela suava em abundância e estava agachada, apoiando-se em um dos seus escudos. Seus gritos pareciam não incomodar os outros, e ela continuava gritando como uma forma de tentar evitar sua transformação. Ou pelo menos retardá-la.
Ver seus companheiros naquelas formas, no entanto, minava todas as suas forças e a cada segundo ela se sentia mais inflada. Suas roupas sufocavam a ponto de ela não conseguir mais emitir som algum, até que finalmente Villia assumiu a forma roliça da deusa da cobiça. Um sorriso pavoroso se abriu, quase tão grande quanto a distância entre suas orelhas, exibindo dentes estranhos mergulhados em enormes gengivas inchadas [antes/depois], e ela riu alto ao pensar nas riquezas que estava prestes a obter. Sua barriga tremulava com o surto hilariante e logo contagiou os outros.
Pavudari, já na forma decrépita do deus da gula [antes/depois], ria como podia através dos dentes podres, e somente Laeate [antes/depois] permanecia afastada, se perguntando como aquele bando de palhaços poderia estar feliz durante um Pesadelo. Mas no fundo ela queria rir também e só estava com inveja deles. E então ela se lembrou de algo importante:
- Precisamos encontrar Aldetor.
Muito longe dali, o Sonhador permanecia preso em um grande artefato haika que o impediria de sair até o final do Pesadelo. Naquele momento ele estava tão louco quanto os sete deuses e queria, mais do que tudo, sair daquela prisão.
Do lado de fora, um pelotão de haikas em seus mechas rondava o perímetro para se certificarem de que nada atrapalharia a construção da pequena cidade que seria seu novo lar. Eles sabiam que deveriam proteger a gigantesca estrutura mecânica em meio às obras, apesar de não terem idéia de que o próprio Aldetor estava lá dentro.
[Leia a próxima parte]
Diário de William "Dourado" Goldblood II
O sol sumiu como se engolido pelas nuvens dançantes, seus raios luminosos dando lugar a desdenhosas correntes de ar quente que pareciam estapear meu rosto com desprezo. Formas vis moldavam-se e metamorfoseavam-se, fazendo das céleres nuvens sua matéria-prima.
O negrume que se seguiu foi tão profundo que não se podia chamar de noite, pois a grande lua Maya também desaparecera completamente, levando consigo seu brilho prateado. E enquanto meus olhos procuravam se acostumar com a escuridão, pontos brilhantes iam surgindo pelo firmamento: vermelhos, azuis e dourados, e dali a pouco também todas as outras cores. Mas não eram estrelas. As estrelas continuavam visíveis atrás daquilo tudo, quase escondidas de terror. Aquelas coisas eram luas, centenas delas, cada uma refletindo a luz das estrelas e mostrando suas próprias cores. Luas do Pesadelo; criações nefastas do subconscinte perturbado de Aldetor, nosso deus sonhador. Algumas apareceram bem próximas, quase do mesmo tamanho de Maya.
A seguir, rastros luminosos começaram a surgir em meio à já caótica cena celestial, como estrelas cadentes ou caudas de cometa. Mais tarde vim a descobrir que eram escadarias - cada uma ligando uma lua ao chão desta terra. Pois é assim que as criaturas de Pesadelo chegam até aqui embaixo. Elas descem de suas luas por escadas.
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Os deuses se contorciam em agonia e dor, mas uma felicidade insana se juntava à explosão de sensações. Seus corpos se transformavam para revelar suas novas personalidades, metamorfoseando-se como insetos em uma cena insólita. Os sete balbuciavam, gritavam, gargalhavam e gesticulavam para si mesmos enquanto novas feições emergiam de suas carnes, alterando completamente seus aspectos.
- Coça - cuspiu Egzarot, esfregando o rosto com as unhas até não sobrar nada além de um crânio lustroso. Seus cabelos ruivos cresceram até a base das costas, agora sobrenaturalmente lisos e negros [antes/depois].
- Aah, Egzarot - chamou Baeva [antes/depois], lambendo os lábios. - Vem aqui cuidar do meu fogo que eu preciso de um homem agora!
- E você foi pedir um favor desses para o deus da preguiça? - questionou Asshadakma [antes/depois], cuja carranca profundamente vincada indicava a mudança da paciência para a ira. - A deusa da luxúria merece mais pressão do que aquele esqueleto é capaz de oferecer.
- Deixa eu ver do que você é capaz - exigiu Baeva, livrando-se apressadamente de sua armadura.
Malivya, por sua vez, havia derretido até atingir a metade de seu tamanho normal. E dentre as bolhas espumantes surgiu uma menina que não parecia ter mais do que 10 anos [antes/depois]. Ela olhou com indiferença para o casal de deuses, que se enroscavam como babuínos de Lushma, e caminhou até o deus-caveira.
- Egzarot, seus óculos escuros... - sugeriu ela com a voz fina e irritante. - Esses olhos vazios dão medo - confessou.
- Estão neste bolso. Faz o favor de colocar no meu rosto? Estou com uma fraqueza insuportável.
- Vai te catar sua caveira preguiçosa, tenho mais o que fazer! - explodiu a menina. - Coloca os óculos! COLOCA AGORA!
Ali perto Villia ainda mantinha sua aparência normal, com os cabelos alvos e as orelhas pontudas. Ela suava em abundância e estava agachada, apoiando-se em um dos seus escudos. Seus gritos pareciam não incomodar os outros, e ela continuava gritando como uma forma de tentar evitar sua transformação. Ou pelo menos retardá-la.
Ver seus companheiros naquelas formas, no entanto, minava todas as suas forças e a cada segundo ela se sentia mais inflada. Suas roupas sufocavam a ponto de ela não conseguir mais emitir som algum, até que finalmente Villia assumiu a forma roliça da deusa da cobiça. Um sorriso pavoroso se abriu, quase tão grande quanto a distância entre suas orelhas, exibindo dentes estranhos mergulhados em enormes gengivas inchadas [antes/depois], e ela riu alto ao pensar nas riquezas que estava prestes a obter. Sua barriga tremulava com o surto hilariante e logo contagiou os outros.
Pavudari, já na forma decrépita do deus da gula [antes/depois], ria como podia através dos dentes podres, e somente Laeate [antes/depois] permanecia afastada, se perguntando como aquele bando de palhaços poderia estar feliz durante um Pesadelo. Mas no fundo ela queria rir também e só estava com inveja deles. E então ela se lembrou de algo importante:
- Precisamos encontrar Aldetor.
Muito longe dali, o Sonhador permanecia preso em um grande artefato haika que o impediria de sair até o final do Pesadelo. Naquele momento ele estava tão louco quanto os sete deuses e queria, mais do que tudo, sair daquela prisão.
Do lado de fora, um pelotão de haikas em seus mechas rondava o perímetro para se certificarem de que nada atrapalharia a construção da pequena cidade que seria seu novo lar. Eles sabiam que deveriam proteger a gigantesca estrutura mecânica em meio às obras, apesar de não terem idéia de que o próprio Aldetor estava lá dentro.
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