[Leia
a parte anterior] [Leia
do começo]
Indignados, eles descobriram que o orc já havia desaparecido entre as construções locais. Rham ainda segurava o dinheiro que havia recuperado, mas descobriu que não havia sobrado o suficiente ali para cobrir o prejuízo pela perda da arma sagrada, de modo que pegou o conjunto de adagas que estava guardado perto do caixa. Devdas verificou sua preciosa caixa de maneira, que recebeu de Vadris e ainda não tivera a chance de abrir.
- Vocês - começou a guerreira, dirigindo-se aos clientes do lugar com um tom grave na voz. - Tratem de trazer aquele orc ladrão de volta ou fazê-lo devolver a espada, já que conhecem essa vila melhor do que nós.
- E por que faríamos isso? - ousou um jovem hobgoblin que acabara de terminar uma latinha de refrigerante, amassando-a com o pé. Os outros pareciam ter a mesma opinião que ele.
- Porque talvez essa onda de incêndios da região finalmente chegue até aqui - ameaçou ela, tirando uma tocha do apoio na parede. E com isso ela causou uma onda de vogais indignadas que preencheram o ambiente. Anidro e Rham balançavam a cabeça positivamente, e Dourado estava realmente disposto a recuperar a relíquia roubada.
Então, após um breve silêncio, um meio-orc carrancudo se levantou da cadeira apontando o machado rústico para o teto:
- Vamos pegar esses forasteiros!
A turba seguiu o exemplo e cada um se preparou para o linchamento, e por um breve momento só se ouvia o arrastar das cadeiras. Muitos estavam desarmados e os da frente quase desistiram ao vislumbrarem a corrente cravejada balançando ameaçadoramente, o escudo afiado a postos, a lâmina do clérigo e a estranha espada suja de caramelo nas mãos do ogro.
Vendo a hesitação da massa, mas doido para entrar em ação, Rham resolveu quebrar o gelo e tomou a tocha de Devdas, atirando-a na estante atrás do balcão para que a mistura com as bebidas alcoólicas causasse belos efeitos especiais. O objeto estilhaçou duas garrafas com o impacto e causou o efeito pretendido, de modo que a investida dos quatro companheiros teve um brilhante fundo amarelado, o que conferiu um aspecto extremamente heróico à cena. Os cientistas, que observavam tudo de suas cadeiras no laboratório do projeto 99-222, vibraram de emoção diante das telas. Era um filme de ação ao vivo e sem censuras.
Rham se deixou possuir pela fúria bárbara e começou a rachar crânios, mas os oponentes se mostraram mais ferozes do que o imaginado. Anidro logo adotou a postura defensiva, conjurando escudos mágicos através de suas preces a Villia enquanto Dourado permitia seu lado dracônico ter um pouco do sangue que precisava para lavar as mesas da taverna com jutiça quente.
Devdas, por sua vez, subiu no grande lustre de latão com a ajuda de sua corrente. Ela parecia dominada por alguma entidade demoníaca enquanto gargalhava, balançando-se no objeto por puro vandalismo até fazê-lo ceder sobre o salão.
Não houve chance para os aldeões, que fugiram tanto das lâminas quanto da guerreira maluca que balançava as correntes de um lado para o outro, destruindo o cenário. Uma parte da multidão, no entanto, foi transformada em bolos, tortas e balas pelo bárbaro enfurecido.
- BASTA! - pediu uma meia-orc de cabelos desgrenhados e camisa rasgada. - Vou procurar o estalajadeiro pra vocês - disse ela, arfante.
Anidro, Devdas e Dourado se contiveram, mas seria muito difícil parar Rham, que já escalava um morro de corpos para chegar aos próximos oponentes. Seu senso de sobrevivência, no entanto, o preveniu que saísse logo dali pois o fogo se alastrava rapidamente.
A meia-orc saiu correndo para cumprir sua promessa e todos os outros que estavam dentro da estalagem também saíram como puderam antes que o teto desabasse. O fogo já ia se espalhando pelos galpões adjacentes e com certeza consumiria boa parte do quarteirão antes que a chuva caísse. Ou seja, a raiva estava descontada.
Algum tempo se passou enquanto eles esperavam pelo retorno da mulher.
- Olha - disse Anidro, mostrando a barriga do ogro revelada pelos rasgos na roupa. - A flor nasceu de novo!
- Bonita - avaliou Devdas, com uma calma que contrastava muito com seu comportamento de momentos antes. Ela nem parecia cansada.
- Hmm - fez Rham, acariciando a flor de pétalas pequenas e um grande miolo cheio de sementes, parecido como um girassol.
- Não, não arranca! - pediu o menino, vendo que a grande mão ocre havia puxado o caule, partindo-o. Ele a levou para perto do nariz e constatou que o cheiro não era muito bom.
- Olho de Baglávia - disse o bárbaro olhando para Dourado, confirmando o nome. E logo adiante vinha a aldeã trazendo a Vingadora Sagrada nas mãos, exausta e coberta de suor.
- Encontrei no chão - disse ela, e sem dizer nada sobre a óbvia mentira, o clérigo guardou a arma sagrada.
Os habitantes locais observavam o estrago causado em volta enquanto a chuva cuidava de apagar as construções flamejantes, secando-lhes as línguas dançantes de fogo que se contorceram antes de desaparecerem completamente.
Logo o lugar estava mergulhado na escuridão molhada, iluminado de leve pelo brilho das estrelas e das luas.
- Vamos procurar um lugar pra dormir, longe desse povo - sugeriu Dourado em voz baixa, começando a andar.
- As luas parecem maiores hoje - concluiu Anidro enquanto mordiscava um pedaço de bolo que antes era um pé direito. - Estão bonitas.
"Mau sinal", pensou o clérigo, sem verbalizar para não criar alvoroço. Ele sabia que quanto maior a distância entre eles e as luas, mais seguros estariam, mas talvez elas simplesmente voltassem a se afastar nos próximos dias. Era o que ele esperava...
Antes de irem, Rham jogou sua flor nos escombros da estalagem como uma espécie de assinatura pessoal. E a partir de então passou a deixar um olho de baglávia em cada lugar importante por onde passasse, fato pelo qual passou a ser conhecido como Rham Olho de Baglávia.
[Leia a próxima parte]
Indignados, eles descobriram que o orc já havia desaparecido entre as construções locais. Rham ainda segurava o dinheiro que havia recuperado, mas descobriu que não havia sobrado o suficiente ali para cobrir o prejuízo pela perda da arma sagrada, de modo que pegou o conjunto de adagas que estava guardado perto do caixa. Devdas verificou sua preciosa caixa de maneira, que recebeu de Vadris e ainda não tivera a chance de abrir.
- Vocês - começou a guerreira, dirigindo-se aos clientes do lugar com um tom grave na voz. - Tratem de trazer aquele orc ladrão de volta ou fazê-lo devolver a espada, já que conhecem essa vila melhor do que nós.
- E por que faríamos isso? - ousou um jovem hobgoblin que acabara de terminar uma latinha de refrigerante, amassando-a com o pé. Os outros pareciam ter a mesma opinião que ele.
- Porque talvez essa onda de incêndios da região finalmente chegue até aqui - ameaçou ela, tirando uma tocha do apoio na parede. E com isso ela causou uma onda de vogais indignadas que preencheram o ambiente. Anidro e Rham balançavam a cabeça positivamente, e Dourado estava realmente disposto a recuperar a relíquia roubada.
Então, após um breve silêncio, um meio-orc carrancudo se levantou da cadeira apontando o machado rústico para o teto:
- Vamos pegar esses forasteiros!
A turba seguiu o exemplo e cada um se preparou para o linchamento, e por um breve momento só se ouvia o arrastar das cadeiras. Muitos estavam desarmados e os da frente quase desistiram ao vislumbrarem a corrente cravejada balançando ameaçadoramente, o escudo afiado a postos, a lâmina do clérigo e a estranha espada suja de caramelo nas mãos do ogro.
Vendo a hesitação da massa, mas doido para entrar em ação, Rham resolveu quebrar o gelo e tomou a tocha de Devdas, atirando-a na estante atrás do balcão para que a mistura com as bebidas alcoólicas causasse belos efeitos especiais. O objeto estilhaçou duas garrafas com o impacto e causou o efeito pretendido, de modo que a investida dos quatro companheiros teve um brilhante fundo amarelado, o que conferiu um aspecto extremamente heróico à cena. Os cientistas, que observavam tudo de suas cadeiras no laboratório do projeto 99-222, vibraram de emoção diante das telas. Era um filme de ação ao vivo e sem censuras.
Rham se deixou possuir pela fúria bárbara e começou a rachar crânios, mas os oponentes se mostraram mais ferozes do que o imaginado. Anidro logo adotou a postura defensiva, conjurando escudos mágicos através de suas preces a Villia enquanto Dourado permitia seu lado dracônico ter um pouco do sangue que precisava para lavar as mesas da taverna com jutiça quente.
Devdas, por sua vez, subiu no grande lustre de latão com a ajuda de sua corrente. Ela parecia dominada por alguma entidade demoníaca enquanto gargalhava, balançando-se no objeto por puro vandalismo até fazê-lo ceder sobre o salão.
Não houve chance para os aldeões, que fugiram tanto das lâminas quanto da guerreira maluca que balançava as correntes de um lado para o outro, destruindo o cenário. Uma parte da multidão, no entanto, foi transformada em bolos, tortas e balas pelo bárbaro enfurecido.
- BASTA! - pediu uma meia-orc de cabelos desgrenhados e camisa rasgada. - Vou procurar o estalajadeiro pra vocês - disse ela, arfante.
Anidro, Devdas e Dourado se contiveram, mas seria muito difícil parar Rham, que já escalava um morro de corpos para chegar aos próximos oponentes. Seu senso de sobrevivência, no entanto, o preveniu que saísse logo dali pois o fogo se alastrava rapidamente.
A meia-orc saiu correndo para cumprir sua promessa e todos os outros que estavam dentro da estalagem também saíram como puderam antes que o teto desabasse. O fogo já ia se espalhando pelos galpões adjacentes e com certeza consumiria boa parte do quarteirão antes que a chuva caísse. Ou seja, a raiva estava descontada.
Algum tempo se passou enquanto eles esperavam pelo retorno da mulher.
- Olha - disse Anidro, mostrando a barriga do ogro revelada pelos rasgos na roupa. - A flor nasceu de novo!
- Bonita - avaliou Devdas, com uma calma que contrastava muito com seu comportamento de momentos antes. Ela nem parecia cansada.
- Hmm - fez Rham, acariciando a flor de pétalas pequenas e um grande miolo cheio de sementes, parecido como um girassol.
- Não, não arranca! - pediu o menino, vendo que a grande mão ocre havia puxado o caule, partindo-o. Ele a levou para perto do nariz e constatou que o cheiro não era muito bom.
- Olho de Baglávia - disse o bárbaro olhando para Dourado, confirmando o nome. E logo adiante vinha a aldeã trazendo a Vingadora Sagrada nas mãos, exausta e coberta de suor.
- Encontrei no chão - disse ela, e sem dizer nada sobre a óbvia mentira, o clérigo guardou a arma sagrada.
Os habitantes locais observavam o estrago causado em volta enquanto a chuva cuidava de apagar as construções flamejantes, secando-lhes as línguas dançantes de fogo que se contorceram antes de desaparecerem completamente.
Logo o lugar estava mergulhado na escuridão molhada, iluminado de leve pelo brilho das estrelas e das luas.
- Vamos procurar um lugar pra dormir, longe desse povo - sugeriu Dourado em voz baixa, começando a andar.
- As luas parecem maiores hoje - concluiu Anidro enquanto mordiscava um pedaço de bolo que antes era um pé direito. - Estão bonitas.
"Mau sinal", pensou o clérigo, sem verbalizar para não criar alvoroço. Ele sabia que quanto maior a distância entre eles e as luas, mais seguros estariam, mas talvez elas simplesmente voltassem a se afastar nos próximos dias. Era o que ele esperava...
Antes de irem, Rham jogou sua flor nos escombros da estalagem como uma espécie de assinatura pessoal. E a partir de então passou a deixar um olho de baglávia em cada lugar importante por onde passasse, fato pelo qual passou a ser conhecido como Rham Olho de Baglávia.
[Leia a próxima parte]



4 comentários:
UHUHUHUHUHUH!!!!!!
AAAAADTORON!!!!
Mas não é que parece o próprio Rham comentando? XD
Pessoa mais gutural ^^
HAuAHUAhUAh
IGUAL VOCÊ!!!!!!!!!!!!!
Postar um comentário