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do começo]
Aldetor abriu os olhos cansados, que precisavam abrir caminho através da cortina de pálpebras flácidas e inchadas, mas isso logicamente não o impedia de continuar sonhando. Seu terceiro olho também abria-se eventualmente, perscrutando os arredores.
A sala ao redor de sua bolha cósmica (chamada Lampa) continuava cheia de cabos, botões piscantes e paredes, tudo em cores frias e metálicas, com miríades vermelhas e brancas indicando o funcionalmento de painéis provavelmente muito importantes. Ele observou a própria mão, cheia de manchas senis e parecida com um amontoado de galhos mortos de alguma árvore ancestral, e notou que era levemente capaz de mexê-la. Somente o suficiente para se livrar de uma leve coceira na nuca.
Olhando para cima, lembrou-se de que estava deitado no colo de sua mãe, Maya, que continuava sentada de pernas cruzadas, contando a passagem do tempo nos dedos das mãos. Ah, como continuava linda! Não havia envelhecido sequer um dia, e os cabelos prateados escorriam pelas costas sem, no entanto, conseguir cobrir totalmente as orelhas pontudas. A pele absorvia a luz artificial do ambiente e a devolvia com brilho lunar, de modo que seu corpo todo emitia uma radiância constante. E sua gravidez estava no fim - gêmeos, com certeza.
O pai, Laefel, também continuava ali. A enorme serpente ocupava boa parte do volume da Lampa, e era a grande razão dos funcionários da EU terem preferido manter distância e estudar a excêntrica família a distância.
Tanto Maya quanto Laefel estavam de olhos fechados e sonhando, ocupados em serem, respectivamente, a lua e o sol (ou sóis) de Aldetoron.
E lá estava Gavius, seu irmão gêmeo, deitado em uma curva do corpo de Laefel. O irmão-morte não tinha mais forças para segurar sua foice, e a pele abarrotada de runas esticava e se encolhia com a respiração profunda e demorada. Seus olhos se abriram assim que Aldetor começou a observá-lo. Eram ameaçadores e fraternos ao mesmo tempo.
"Ah, como preciso morrer", pensou Aldetor, sem forças para verbalizar. E então podia-se ver um reflexo cada vez mais nítido no terceiro olho, que permite-nos cruzar a barreira delimitada pela córnea através de um efeito cinematográfico que nos leva imediatamente a Aldetoron, onde o corpo onírico de Aldetor permanece de pé sobre as antigas montanhas do império dracônico de Vandivya, o continente flutuante. Ele vestia somente uma calça velha, porém confortável, mantida presa à cintura por um cordão amarrado. Dali de cima ele conseguia ver toda a paisagem coberta de magníficas ruínas, que por sua vez estavam cobertas por árvores antigas e rabugentas. E em segundo plano, abaixo dali, sob as massas de nuvens sólidas com seus príoprios reinos, estava o grande e velho continente salpicado de histórias.
Aldetor não era velho ali. Ele lançou seu corpo vigoroso para o alto e voou, aparentemente rumo a alguma das inúmeras luas visíveis mesmo durante o dia.
Não muito longe dali, um vulto escondido em uma nuvem sólida observava o Sonhador.
O homem estava acompanhado por um outro bem maior, que usava uma armadura negra completa com dois pares de chifres no elmo, de onde surgiam alguns cachos de cabelo grisalho.
- A hora está próxima, Indretor - sussurrou o primeiro. E a resposta veio através de um suspiro grave de concordância, abafado pelo elmo.
- E você vai me ajudar - completou o vulto, dirigindo-se a uma terceira figura.
- Claro que sim - respondeu Jocasius, apoiando-se nas saliências parecidas com algodão.
[Leia a próxima parte]
Aldetor abriu os olhos cansados, que precisavam abrir caminho através da cortina de pálpebras flácidas e inchadas, mas isso logicamente não o impedia de continuar sonhando. Seu terceiro olho também abria-se eventualmente, perscrutando os arredores.
A sala ao redor de sua bolha cósmica (chamada Lampa) continuava cheia de cabos, botões piscantes e paredes, tudo em cores frias e metálicas, com miríades vermelhas e brancas indicando o funcionalmento de painéis provavelmente muito importantes. Ele observou a própria mão, cheia de manchas senis e parecida com um amontoado de galhos mortos de alguma árvore ancestral, e notou que era levemente capaz de mexê-la. Somente o suficiente para se livrar de uma leve coceira na nuca.
Olhando para cima, lembrou-se de que estava deitado no colo de sua mãe, Maya, que continuava sentada de pernas cruzadas, contando a passagem do tempo nos dedos das mãos. Ah, como continuava linda! Não havia envelhecido sequer um dia, e os cabelos prateados escorriam pelas costas sem, no entanto, conseguir cobrir totalmente as orelhas pontudas. A pele absorvia a luz artificial do ambiente e a devolvia com brilho lunar, de modo que seu corpo todo emitia uma radiância constante. E sua gravidez estava no fim - gêmeos, com certeza.
O pai, Laefel, também continuava ali. A enorme serpente ocupava boa parte do volume da Lampa, e era a grande razão dos funcionários da EU terem preferido manter distância e estudar a excêntrica família a distância.
Tanto Maya quanto Laefel estavam de olhos fechados e sonhando, ocupados em serem, respectivamente, a lua e o sol (ou sóis) de Aldetoron.
E lá estava Gavius, seu irmão gêmeo, deitado em uma curva do corpo de Laefel. O irmão-morte não tinha mais forças para segurar sua foice, e a pele abarrotada de runas esticava e se encolhia com a respiração profunda e demorada. Seus olhos se abriram assim que Aldetor começou a observá-lo. Eram ameaçadores e fraternos ao mesmo tempo.
"Ah, como preciso morrer", pensou Aldetor, sem forças para verbalizar. E então podia-se ver um reflexo cada vez mais nítido no terceiro olho, que permite-nos cruzar a barreira delimitada pela córnea através de um efeito cinematográfico que nos leva imediatamente a Aldetoron, onde o corpo onírico de Aldetor permanece de pé sobre as antigas montanhas do império dracônico de Vandivya, o continente flutuante. Ele vestia somente uma calça velha, porém confortável, mantida presa à cintura por um cordão amarrado. Dali de cima ele conseguia ver toda a paisagem coberta de magníficas ruínas, que por sua vez estavam cobertas por árvores antigas e rabugentas. E em segundo plano, abaixo dali, sob as massas de nuvens sólidas com seus príoprios reinos, estava o grande e velho continente salpicado de histórias.
Aldetor não era velho ali. Ele lançou seu corpo vigoroso para o alto e voou, aparentemente rumo a alguma das inúmeras luas visíveis mesmo durante o dia.
Não muito longe dali, um vulto escondido em uma nuvem sólida observava o Sonhador.
O homem estava acompanhado por um outro bem maior, que usava uma armadura negra completa com dois pares de chifres no elmo, de onde surgiam alguns cachos de cabelo grisalho.
- A hora está próxima, Indretor - sussurrou o primeiro. E a resposta veio através de um suspiro grave de concordância, abafado pelo elmo.
- E você vai me ajudar - completou o vulto, dirigindo-se a uma terceira figura.
- Claro que sim - respondeu Jocasius, apoiando-se nas saliências parecidas com algodão.
[Leia a próxima parte]



3 comentários:
Li todas as partes, e pelo que vo no momento certo, estou doio pra ver o resto!
OMG! Como assim???
Opa, obrigado Rodrigo. Notei que tem bastante gente lendo (pelos acessos e pelo tempo nas páginas), mas não sei o que estão achando.
Obrigado pelo apoio!
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