sexta-feira, 17 de abril de 2009

Iniciativa 4e: Askakra

Os posts da Iniciativa 4e são sempre conjuntos e temáticos, a serem publicados quinzenalmente. Assim, vários aspectos de um mesmo assunto serão cobertos por diferentes autores (veja os links no final do post), dando origem a um suplemento periódico.
O tema desta 8ª edição da Iniciativa 4e é Tempo, e para ele confira, a seguir, uma visão do tempo sob ótica divina.

O Askakra

Dá-se o nome Askakra, que quer dizer literalmente "Tempo Sagrado", ao fenômeno que se demonstra quando uma divindade toma para si o controle do tempo. A manipulação temporal torna-se um poder alcançado somente através da divindade, poderes concedidos ou mesmo através de alguma ferramenta disponibilizada por ela. Os que possuem acesso a tal manipulação são conhecidos como Askakraegus (plural Askakraegusen)
Nessas circunstâncias, o tempo deixa de ser uma manifestação exclusivamente física e adquire uma característica mística e sobrenatural.

A Quarta Dimensão

O Tempo, também conhecido como Quarta Dimensão, é o ambiente onde acontecem os eventos do Askakra. Trata-se de uma linha reta finita que começa na criação do universo e termina em sua destruição, onde cada ponto contém o estado do universo em um dado momento, cujos pontos adjacentes são o momento imediatamente anterior e o momento imediatamente posterior.

Um Askakraegus conseguem vislumbrar, ou até mesmo alcançar, os pontos mais atrás ou mais à frente - o passado e o futuro. Assim, enquanto somos todos viajantes da Quarta Dimensão que seguem-na descalços em linha reta, velocidade uniforme e com profunda escuridão adiante, eles são verdadeiros exploradores da rota, equipados com botas adequadas, lanternas, veículos e até mesmo pás.

A Quinta Dimensão

Se o Tempo (ou Quarta Dimensão) é uma linha, a Quinta Dimensão é formada pela junção de infinitas linhas lado a lado, cada uma ramificada ao seu modo, formando uma malha irregular, porém plana. As linhas são diferentes versões do mesmo universo, cada uma sendo o resultado de um possível curso de ações e acontecimentos. Essa face do Askakra tem muitos nomes, dentre eles Plano das Possibilidades, Mapa do Acaso e Labirinto do Destino.

Quando um guerreiro tenta acertar o inimigo com sua espada, existe uma série de linhas do Tempo adjacentes, cada uma com um possível resultado da ação. Todas essas linhas começam no momento da criação daquele universo e terminam no momento do fim daquele universo, e são diferentes somente a partir do momento em que ele tentou acertar o alvo. Em uma das linhas ele decapitou o oponente e contém todas as consequências desse ato. Em outras linhas ele acertou uma perna, o tórax, um braço, um aliado (ops!) ou nem mesmo acertou.
Da mesma forma existe uma linha do Tempo para cada possibilidade de resolução de cada ação de um dado universo, e por isso elas são (praticamente) infinitas.

Os Askakraegus são os culpados pela irregularidade da Quinta Dimensão, já que seus poderes permitem criar ramificações em uma linha do Tempo, o que resulta no Dilema do Askakra. Se não fosse pelo Askakra, a Quinta Dimensão seria um plano perfeitamente liso, finito atrás e na frente e infinito para os lados, sem interferências entre as linhas.

O Dilema do Askakra

A cada vez que um Askakraegus interfere no Tempo, ele ramifica linha atual, efetivamente criando novos caminhos pela Quinta Dimensão. Isso se deve ao uso de um poder que mexe diretamente na malha da Quinta Dimensão. O raciocínio é o seguinte: Se ele é capaz de ver o futuro, ele automaticamente cria novas possibilidades de ação, e então a linha do Tempo se ramifica.
Tal fato deixa, no entanto, um pergunta no ar: Se ele impediu um reino de ser devastado por causa de seus poderes de ver o futuro, ele simplesmente partiu para "outra realidade". Mas na "realidade original" aquele reino foi invadido?
Existem três respostas para essa pergunta, e quem define a correta é o poder utilizado ou a própria divindade controladora do Tempo:
  • Alcance Individual: Somente o próprio Askakraegus vê os efeitos do uso do poder. Nesse caso a reposta é "sim, o reino foi invadido, mas ele agora vive em uma versão do universo onde ele não foi invadido".
  • Alcance Seletivo: O Askakraegus, bem como outros que ele escolher (limitado ao seu poder ou ao poder do efeito), veem os efeitos do poder. Nesse caso a reposta é "sim, o reino foi invadido, mas ele e quem quer que ele tenha escolhido agora vivem em uma versão do universo onde ele não foi invadido".
  • Alcance Total: Todo o universo é afetado pelo poder, e a resposta passa a ser "sim, o reino foi invadido, mas ninguém nunca vai ver essa versão do futuro".
Note que a resposta é sempre "sim", pois não há nada que se possa fazer para impedir a criação de uma ramificação da linha do Tempo. Você está a salvo, bem como alguns escolhidos ou até mesmo todos, mas em algum lugar na Quinta Dimensão todos ainda sofrem, pois ela contempla todas as possibilidades.
Você dividiu uma única linha do Tempo em várias ao invés de manter uma única onde tudo termina bem. Esse é o Dilema do Askakra.

Criando e Apagando Linhas

Nem mesmo a divindade que controla o Tempo pode criar e apagar linhas como bem entender. Afinal, todas as criaturas, inclusive os deuses, vivem dentro desses caminhos. Se assim fosse, o próprio núcleo da existência ficaria comprometido.
Mas é possível para ela controlar as ramificações das linhas - aquelas criadas pelos Askakraegusen. Assim, a divindade consegue "podar" uma linha ramificada, deixando somente aquela (ou aquelas) que achar conveniente, seja por vontade própria ou a pedido do Askakraegus. Trata-se da única forma de anular o Dilema do Askakra.

No exemplo acima (do reino invadido), um acordo entre a divindade e o Askakraegus poderia fazer com que só existisse uma versão do universo para aquela linha do Tempo: a que o reino foi salvo.

Viajando Fisicamente

A manipulação do Tempo envolve os mais diversos efeitos, mas o mais bizarro é, com certeza, a viagem física. Tirar o próprio corpo e fazê-lo viajar através da Quarta (tempo) ou da Quinta Dimensão (possibilidades) para um momento totalmente diferente, onde já existe um "outro você" traz implicações adicionais:
  • A Linha do Tempo de onde ele saiu é imediatamente ramificada em duas: uma continua com o personagem, indicando a possibilidade de ele nunca ter ido embora; e outra onde o personagem simplesmente deixa de existir, a partir do momento que fez a viagem.
  • A Linha do Tempo para onde ele foi (seja a mesma ou alguma outra) é imediatamente ramificada em duas: uma continua sem o personagem, indicando a possibilidade dele nunca ter chegado; a outra é a que recebeu o personagem.
  • Se ele foi para o passado na mesma Linha, a nova ramificação da Linha do Tempo atual tem agora duas "versões" do personagem (sendo uma mais nova).
  • Se ele foi para o futuro na mesma Linha, além de ela se ramificar a partir daquele momento (veja a segunda nota), vai haver um período onde ele não existe, delimitado pelo momento que ele saiu e o momento que ele chegou. Mas ele pode ir para o futuro, ainda na mesma Linha original, mas seguindo a ramificação onde ele continua existindo (veja a primeira nota), e assim ele cria uma nova ramificação (de acordo com a segunda nota).
Note que a viagem física sempre abre uma ramificação dupla, indicando que o personagem pode ter chegado ou não ter chegado, enquanto os demais efeitos (como ver o futuro ou ver outras realidades) podem abrir diversos ramos, cada um representando uma das possíveis decisões que ele tomou.

Em Aldetoron

Askakra é o domínio que Aldetor exerce sobre o tempo em Aldetoron, cujo poder se concentra em um lugar conhecido como Torre do Tempo (ou Torre do Destino, entre outros nomes).
As Linhas do Tempo são Ciclos, e a cada vez que um deles termina (a cada 2520 anos), através da destruição causada por Gavius, um novo Ciclo começa com o nascimento de novos gêmeos: Aldetor e Gavius. Assim vai sendo formado um cilindro em espiral, como uma mola.
A Quinta Dimensão, ou Labirinto do Destino, é formada por inúmeros Ciclos que se entrelaçam e se ramificam, como um conduite cheio de fios aparentemente desarranjados.

Por fim, em Aldetoron, não existe viagem para o futuro, a não ser que o tempo onde os personagens estejam seja o passado. Pode parecer uma frase estranha, mas Aldetoron é um mundo cujos Ciclos (ou Linhas do Tempo) têm, sim, um futuro, mas Aldetor ainda não o conhece.
Suas memórias são a chave para o Askakra, ou seja, qualquer efeito que envolva o futuro está limitado ao momento onde ele se encontra. E esse momento atual (o presente efetivo) deve ser definido pelo mestre, que pode utilizar tal fato como limitação para os poderes que envolvam o Tempo.
  • Em uma crônica que o mestre defina que o Ciclo atual é o 7º, mas que decida colocar os personagens no 2º, ele está automaticamente liberando viagens no tempo que alcancem o 7º Ciclo.
  • Em uma crônica que o mestre defina que o Ciclo atual é o 2º, e que decida colocar os personagens no próprio 2º Ciclo, no limiar do presente efetivo, ele está limitando o acesso somente ao tempo passado.

Manipulando o Tempo

Sendo este o tema desta edição da Iniciativa 4e, fique à vontade para escolher seus itens, poderes e ganchos preferidos para aventuras temporais nos posts relacionados:

1 comentários:

Rey Jr disse...

Valeu pelos comments, cara. Seu artigo como sempre está ótimo. Parabéns.