O selo da Iniciativa 4e é garantia de que você está encontrando material escrito e revisado para a 4ª edição de D&D.Os posts são sempre conjuntos e temáticos, a serem publicados quinzenalmente. Assim, vários aspectos de um mesmo assunto serão cobertos por diferentes autores (veja os links no final do post), dando origem a uma espécie de suplemento periódico.
O tema de hoje é Delírio, e para ele confira, a seguir, um novo plano anômalo e uma cidade!
Plano Anômalo de Delirium
Existem lugares secretos que podemos visitar somente quando não estamos plenamente conscientes. São lugares criados por nossas próprias mentes quando dormimos, quando certas substâncias tóxicas agem em nossos corpos ou quando passamos por um grande trauma, fazendo-nos cruzar os portais para fora dos limites da sanidade, mesmo que temporariamente. E em momentos como esses escapamos da realidade, envolvidos por ambientes imaginários.
Sonhos, delírios ou alucinações são alguns dos nomes para tais situações, que podem ser consideradas normais do ponto de vista psicológico e biológico. Mas quando esses nossos "mundos particulares" começam a ser visitados (ou compartilhados) por pessoas diferentes de nós mesmos, temos algo realmente extraordinário!
Realidades Compartilhadas e Realidades Particulares
Os personagens se aventuram em um mesmo lugar onde todos vêm as mesmas coisas, sentem os mesmos cheiros e ouvem os mesmos sons. Trata-se de uma realidade compartilhada, de onde todos receberão os mesmos estímulos sensoriais.
Isso não acontece, no entanto, quando os personagens se encontram sob algum efeito mental ou inconscientes. O guerreiro dominado pelo ataque mental do Devorador de Mentes acredita que seu aliado é um inimigo, assim como o NPC paranóico enxerga perseguidores que ninguém mais vê. Trata-se de realidades particulares, palpáveis somente por seus "habitantes".
Mas existe um lugar que junta esses dois tipos de realidades, cheio de mistérios e objeto de estudos e superstição: a cidade de Delirium.
Chegando à Cidade de Delirium
Estudiosos acreditam tratar-se de um domínio no Plano dos Sonhos, pois não é um lugar físico moldado a partir de matéria-prima do Caos Elemental, e sim um lugar formado por pensamentos e idéias. O ambiente, no entanto, é tão real quanto qualquer outro mundo.
Existem vários estados que possibilitam a um aventureiro chegar à cidade de Delirium, esteja ele procurando pelo caminho ou não:
- Atordoado
- Dominado
- Inconsciente (inclusive dormindo)
- Morrendo
- Pasmo
- Petrificado
Enquanto está em Delirium, o personagem deixa seu corpo físico para trás, que continua sofrendo os efeitos de qualquer que seja forma que ele utilizou para viajar. Assim, uma criatura pasma permanece aparentemente acordada, mas não responde a quaisquer estímulos, como se estivesse em transe. Já uma criatura dominada permanece à mercê de seu dominador, e seu corpo continuará agindo de acordo com as ordens dele apesar de, em sua mente, a criatura estar em outro lugar. E uma criatura petrificada poderia permanecer indefinidamente em Delirium, já que seu corpo físico não envelhece!
De qualquer forma, estando o efeito terminado, o personagem volta imediatamente à consciência, deixando Delirium.
| CARACTERÍSTICAS DA CIDADE DE DELIRIUM (Consulte o Manual of the Planes para obter detalhes) Tipo: Plano Anômalo. Tamanho e Forma: A cidade em si é ligeiramente arredondada, com diâmetro de cerca de 2 quilômetros, mas seus misteriosos arredores chegam a ocupar mais de 10 quilômetros além da cidade, e quem avançar além disso automaticamente deixa Delirium. Gravidade: Subjetiva. Uma criatura pode permanecer sobre qualquer superfície de tamanho igual ou maior que sua base. Ela ganha a habilidade de voar com metade de seu deslocamento básico se não estiver sob o efeito da gravidade. Ela pode pairar, mas tem voo desajeitado. Uma criatura com a habiliadde de voar pode utilizar seu deslocamento de voo inato e ganha a habilidade de pairar. Mutabilidade: Instável, mas a cidade em si não está sujeita a mudanças aleatórias. Imortalidade: Criaturas sangrando também ficam lentas, e criaturas morrendo ou inconscientes são consideradas fracas em vez disso. Criaturas mortas ou petrificadas saem de Delirium. Criaturas dominadas ou atordoadas são consideradas pasmas em vez disso. Passagem de Residuum: Criaturas que chegam a Delirium aparecem no centro da cidade com roupas comuns (que podem ser alteradas devido à mutabilidade instável do lugar), sem equipamento algum. Da mesma forma, qualquer coisa obtida em Delirium é deixada no lugar onde a criatura desaparece quando vai embora. A única coisa que pode ser trazida ou levada de Delirium é Residuum (a substância que resulta do uso do ritual Desencantar Item Mágico em um item). |
Os visitantes de Delirium não vêm atrás de riquezas, pois nada se pode tirar de lá. Ninguém vem em busca de fama, também, pois os acontecimentos de lá ficam fora do conhecimento da maioria. Quem quer que procure Delirium conscientemente está em busca de novas experiências.
Violência é mal vista na cidade e veementemente combatida pela população. Um clima pacífico e amistoso aguarda os recém-chegados, e alguns sempre acabam decidindo ficar permanentemente.
Perigos aguardam do lado de fora das muralhas, onde espalha-se uma cadeia de montanhas e vales de beleza exótica, com masmorras e criaturas nascidas graças à maleabilidade do ambiente, que acabou se tornando uma enorme mistura de loucuras e desejos. Além disso, os pensamentos e idéias das pessoas em Delirium criam mutações nesses lugares afastados da cidade, mesmo daquelas que permanecem do lado de dentro das muralhas.
A cidade é labiríntica e as construções têm as mais variadas estruturas e cores. Os habitantes permanentes, cuja estadia deve ser aprovada pelo Rei, têm direito a um terreno de tamanho variável, dependendo de vários fatores como aceitação, comportamento e idade. O atual Rei, o humano Nalias Banur, estabeleceu que quanto mais tempo uma pessoa morar na cidade, maior poderá ser sua propriedade, respeitando o limite de 15 metros nas laterais e na altura. É claro que mudar critérios de tamanho das propriedades podem causar um mandato curto de um Rei, mas as inúmeras mudanças nas construções dão uma impressão visual caótica, principalmente pela facilidade em mudar a forma das coisas, dada a mutabilidade característica de Delirium.
As únicas formas de sair de Delirium são com o fim do efeito que levou a criatura até lá, pisando fora de seus limites externos, morrendo ou sendo petrificado. Há um lugar famoso a oeste da cidade chamado Pedra do Retorno, de onde as pessoas podem se atirar e voltar às suas vidas.
Uma preocupação comum daqueles que deixam o lugar é com relação aos bens obtidos, pois é impossível levá-los consigo (a não ser que sejam transformados em Residuum). Por isso muitos procuram deixar suas coisas com habitantes permanentes, para poderem recuperá-las quando voltarem, ou então tornarem-se habitantes também, de modo que ganhem o direito a uma propriedade.
| CIDADE DE DELIRIUM Cercada de mistérios, esta cidade foi moldada pelos desejos de seus habitantes. População: Cerca de 1.000 habitantes permanentes de raças variadas e 500 visitantes simultâneos, em média. Governo: O Rei de Delirium é um título atribuído por votação de toda a população permanente, e deve ser aprovado pela maioria para ser investido. A votação é feita simplesmente pelo pensamento e, caso a popularidade do atual Rei caia muito, ele tem uma única chance de se redimir. Suas funções são basicamente de mediar disputas e ele ganha o direito de moldar a maior propriedade da cidade, que geralmente toma a forma de um castelo. Defesas: Cada cidadão é responsável pela defesa de seu lar, não existem guardas. Estalagens e Tavernas: A única taverna é a Taverna Delirium, um ambiente limpo e agradável onde o atual taverneiro, Gasvatuz (anão de meia-idade), demonstra sua maestria em moldar o gosto das substâncias. Não há estalagens, já que não é possível ficar com sono em Delirium. Mercado: Não há comércio em Delirium, já que não é possível levar objetos embora. Residuum, a única exceção, é a moeda corrente. Templos: Por ser um lugar de população tão variada, há templos espalhados por toda a cidade, sem nenhum que seja particularmente mais visitado ou respeitado. Muitos habitantes preferem manter templos particulares em suas residências. |
Sementes de Aventura
- Um Novo Lar: Os personagens, ao descobrirem Delirium, decidem criar uma casa que sirva de local de meditação ou onde se possa planejar com calma os rumos das próximas aventuras. Mas para isso eles deverão conquistar a confiança do Rei;
- Invasores: Um pequeno exército chega a Delirium, e seu comandante pretende usar o lugar como campo de treinamento, já que é impossível morrer ali. Mas mesmo eles usando as terras do lado de fora da cidade, muitos habitantes não estão satisfeitos com os novos vizinhos;
- Procurando uma Saída: Os personagens acabam sendo petrificados e vão parar em Delirium. Eles precisam procurar alguém que se proponha a ir salvar seus corpos físicos, fora de Delirium.
- Mãe Preocupada: Uma mulher procura os personagens e revela que seu filho ficou viciado em certos alucinógenos e que todas as suas tentativas de persuadi-lo foram frustradas. Os personagens descobrem, no entanto, que o rapaz realiza viagens mais complicadas do que a mãe imagina, e que ele é alguém muito influente em Delirium.



2 comentários:
Hum...foi citado o que acontece com item conquistados em Delirium, quando o dono sai de lá com eles. E quanto a itens que alguém possui consigo no mundo físico? São transportados para Delirium também, junto ao possuidor?
Nada é levado para lá, exceto residuum. Assim, você pode usar residuum para fazer itens lá, mas não pode levar um item existente. A única coisa que você leva é sua consciência, vestida somente com uma roupa simples que, devido à maleabilidade das coisas por lá, você pode transformar em roupas mais elaboradas.
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