quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sandman

Neste mês de janeiro Sandman completa 20 anos e aqui estou, em conjunto com o Ambrosia e outros blogs e portais, comemorando o sucesso da obra de Neil Gaiman duas décadas após seu lançamento.
De fato eu estava adiando para escrever algo sobre Sandman e o convite do Ambrosia deu a motivação que faltava.

Sandman e Aldetoron
Quem conhece ou já leu a obra de Gaiman a respeito do Senhor do Sonhar vai notar, se já não notou, que Aldetoron tem algumas semelhanças (e aparentes inspirações) com a consagrada história em quadrinhos. Um mundo-sonho, entidades-clone de figuras famosas da história da Terra e situações popularmente classificadas como "viajadas" ou "cheiradas".
Por isso algumas pessoas já me perguntaram se eu já li Sandman. E para a surpresa delas (e talvez a sua) a resposta é não!
Apesar de nunca ter lido nenhuma das mais de 70 edições da saga, vontade não faltou. Você deve saber que é difícil achar os primeiros números (mesmo a versão encadernada relançada do primeiro arco, "Prelúdios e Noturnos"), mas mesmo assim decidi não começar do meio. Isso não significa, no entanto, que eu não tenha lido outras histórias do Gaiman, ou que eu não saiba nada sobre Sandman. Afinal a eventual comparação com Aldetoron me levou a iniciar uma pesquisa tempos atrás, e como não poderia deixar de ser gostei muito das coisas que descobri.

Mundos-Sonho
Essa história de "mundo sonhado por uma entidade" é bem enraizada em diversas mitologias, principalmente a hindu. E esse conceito já foi bem explorado na literatura, no cinema e até nos videogames:
  • Alice no País das Maravilhas: Alice cria seu mundo-sonho onde ela é a única criatura "sóbria"
  • Final Fantasy X: o protagonista Tidus nada mais é do que um sonho
  • Matrix: a Matrix é um sonho coletivo coordenado por máquinas
  • Freddy Krueger: o monstro que comanda um mundo-pesadelo
  • Vanilla Sky: um homem prefere ser induzido a um sonho enquanto dorme e espera um futuro onde seu mal possa ser tratado
  • História sem Fim: Bastian viaja a um mundo-sonho que ele se vê obrigado a reconstruir
Então Aldetoron não é plágio de Sandman?
Não, pelo menos não de propósito. Justamente por isso citei os exemplos acima, para explicitar uma influência do tema "sonho" já bem difundida em nossa cultura. O problema é que nenhuma das obras que citei trás uma semelhança tão grande como a que ocorre entre Aldetor e Sonho. Para entender, leia os dois parágrafos abaixo:

Sonho, o protagonista da série, é um dos irmãos conhecidos como Perpétuos. Ele perambula pela Terra ao mesmo tempo que tem seu próprio mundo-sonho, o Sonhar. E na Terra ele encontra diversas personalidades que ele decide "levar" para o Sonhar.

Aldetor também não é um humano, e apesar de ele não ser um Perpétuo como Sonho, ele é de uma raça desconhecida. Ele também perambula pelo nosso universo (passou pela Terra durante seu segundo sonho, ou 2º ciclo) ao mesmo tempo que tem um mundo em sua mente, conhecido como Aldetoron. Além disso, à medida que conheceu os povos da Terra e suas histórias, "entidades-clone" foram criadas em Aldetoron, como Tiamat, Lilith, Dagdar, Ares e Yeshua (Jesus Cristo).

Bastian e Alice são equivalentes a Aldetor e Sonho, mas o grande diferencial da obra de Gaiman é que seu personagem é, na verdade, o próprio Morpheus da mitologia grega, ao qual foram adicionados elementos únicos como seu penteado inconfundível, sua irmã carismática e as tramas nas quais se envolve. Com certeza leitura obrigatória! E se você, assim como eu, está sem acesso aos tão procurados quadrinhos de Sandman, sugiro a leitura das outras obras de Neil Gaiman, como O Caçador de Sonhos e Stardust. Este último teve adaptação recente para o cinema, outra ótima forma de conhecer as viagens desse autor tão criativo.

0 comentários: