quarta-feira, 30 de julho de 2008

Verbos

O verbo é o último elemento da frase. Os verbos são classificados pelo modo e tempo, e podem estar na forma positiva ou negativa (veja a tabela-exemplo mais abaixo).

Modo: O verbo pode aparecer com cinco sufixos diferentes, que representam os cinco modos. Os sufixos são bem simples de decorar: "ar", "er", "ir", "or" e "ur". Não há sifixação irregular, ou seja, o modo "er" de alde (sonhar) é aldeer. É só adicionar o sufixo sem medo.
Básico/Ativo: adicionar "ar" no final. Indica realização da ação no modo ativo..
Capacidade: adicionar "er" no final. Indica capacidade para realizar a ação.
Passivo: adicionar "ir" no final, indica recepção da ação Exemplo: matar é gavar, e morrer (ou ser morto) é gavir.
Convidativo/Imperativo: adicionar "or" no final. A diferença entre convidativo (vamos fazer algo) e imperativo (faça algo!) é que no imperativo aparece o “shadak”, que é o indicativo de futuro (veja abaixo).
Reflexivo: adicionar "ur" no final.

Tempo: A idéia de tempo também é dada por sufixos, assim como o modo. Dessa forma, o primeiro sufixo mostra o modo, e o segundo mostra o tempo.
Presente: igual o modo básico, ou seja, sem mais nenhum sufixo. O infinitivo é igual.
Passado: adicionar "shidak" no final.
Futuro: adicionar "shadak" no final.
Lembra-se que shadak pode ser pronunciado shada (shadá)? Da mesma forma, shidak pode ser pronunciado shida (shidá). Veja o tópico Pronúncia.

Negativo: Para demonstrar a negação, colocamos "na" no meio do sufixo de modo (anar, enar, inar, onar, unar).
Gerúndio: usar verbo no infinitivo + radical ser/estar (“i”). Exemplo: “Estava sonhando” fica Aldear iarshidak (literalmente “sonhar estava”)
Particípio: é o próprio passado no modo passivo (sufixo "ir"+"shidak").

Exemplo: verbo SONHAR (ALDE) nos cinco modos, primeira pessoa (eu).

POSITIVOPresente/InfinitivoPassadoFuturo
BásicoAldear: sonho/ sonharAldearshidak: sonheiAldearshadak: sonharei
CapacidadeAldeer: posso sonhar/ poder sonharAldeershidak: pude sonharAldeershadak: poderei sonhar
PassivoAldeir: sou sonhado/ ser sonhadoAldeirshidak: fui sonhadoAldeirshadak: serei sonhado
Convidativo/
Imperativo
Aldeor: sonhemos
----
Aldeorshadak: sonhe
ReflexivoAldeur: sonho-me/ sonhar-meAldeurshidak: sonhei-meAldeurshadak: sonharei-me

NEGATIVOPresente/InfinitivoPassadoFuturo
BásicoAldeanar: não sonho/ não sonharAldeanarshidak: não sonheiAldeanarshadak: não sonharei
CapacidadeAldeenar: não posso sonhar/ não poder sonharAldeenarshidak: não pude sonharAldeenarshadak: não poderei sonhar
PassivoAldeinar: não sou sonhado/ não ser sonhadoAldeinarshidak: não fui sonhadoAldeinarshadak: não serei sonhado
Convidativo/
Imperativo
Aldeonar: não sonhemos
----
Aldeonarshadak: não sonhe
ReflexivoAldeunar: não me sonho/ não me sonharAldeunarshidak: não me sonheiAldeunarshadak: não me sonharei

Radicais

Radicais são as sementes das palavras, utilizados sozinhos ou em conjunto. Por ser uma língua prática, os radicais do Zarlia se referem aos termos mais usados, não necessariamente aos mais genéricos.

Sufixo kus/ikus: Quando queremos destacar uma palavra em determinado contexto, usamos este sufixo. O radical sozinho (sem kus/ikus) deve ser usado preferencialmente, para o texto não ficar repetitivo. Juntando kus (se juntar com vogal) ou ikus (se juntar com consoante) aos radicais, temos os substantivos, as idéias de "coisas" (tanto concretas quanto abstratas). O kus/ikus pode ser traduzido como "coisa".
Exemplo: Dari + kus, darikus, significa imagem ou desenho, ou ainda escritura, assim como simplesmente Dari. Relembrando, na forma de verbo (ver Verbos, acima) fica dari + ar, dariar, que significa desenhar ou escrever.

Outro modo de formar substantivos é juntando dois ou mais radicais.
Exemplo: Vatri (perto) + Aj (animal), vatriaj, significa "animal de companhia", como um cachorro. Não se deve juntar o sufixo kus/ikus nesses casos (não existe “vatriajikus”). Note que o radical preponderante fica no fim. No caso de vatriaj, aj é o mais “importante”, pois o cão é, acima de tudo, um animal (aj).

Há alguns radicais que, mesmo juntados a outros radicais, permitem o uso de kus/ikus e, inclusive, formação de verbos. É o caso, por exemplo, de it (grande, muito, alto) e ut (pequeno, pouco, baixo).
Exemplo: It + Aruk (andar) + ikus (usar ikus pois aruk termina em consoante), itarukikus, significa "longo caminho", ou ainda "longa caminhada, jornada". Na forma de verbo fica it+aruk+ar, itarukar, que significa "correr" ou "realizar longa viagem" (lembre-se que o kus/ikus pode ser suprimido na linguagem coloquial). Esses radicais aparecem em itálico na lista.

Há ainda radicais que não geram verbo. É o caso, por exemplo, de aur (amarelo). Esses radicais aparecem sublinhados na lista.

Veja a Lista de Radicais.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Índice de Contos

Aqui estão reunidos e organizados todos os posts relacionados à seção Contos.
Veja aqui uma explanação sobre a função dos contos e dos NPCs em Aldetoron.

Histórias Reais: Estas são as crônicas que mestrei, ambientadas em Aldetoron.

- Projeto 99-222 - 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 [em breve]
- O Pesadelo e o Atropal - [um dia]
- Algozes do Destino - [um dia]

Livro I: Aqui é contada a história de como Kzarden, Nedemus, Vuoja e Aliandra se conheceram. Juntos eles formam um dos grupos icônicos de Aldetoron.

- Prólogo - Parte Única
- Capítulo 1 - Parte 1 / Parte 2
- Capítulo 2 - Parte 1 / Parte 2
- Capítulo 3 - Parte 1 / Parte 2
- Capítulo 4 - Parte 1 / Parte 2
- Capítulo 5 - Parte 1 / Parte 2
- Capítulo 6 - Parte 1 / Parte 2

Volkan: Um personagem estranho começou a aparecer na minha imaginação no começo de 2006 - um ex-clérigo bombado de pavio curto. Recentemente achei o arquivo .DOC que já dava por perdido e me inspirei novamente. De vez em quando vou colocar mais histórias dele aqui.

- Azar do Velho Punhos-Cerrados - Parte Única

Mutavax e Minius: Este conto mostra uma famosa dupla de aventureiros de Aldetoron - o draconato Mutavax e o haika inventor Minius.

- Amigos Inseparáveis - Parte 1 / Parte 2

A Sagrada Família: Este conjunto de contos revela a história das entidades superiores de Aldetoron.

- O Início - Parte Única
- Aldetor na Terra - [um dia]

Crônicas do 2º Ciclo: Estas são as histórias sobre o 2º ciclo de Aldetoron.

- Dalen - Parte 1 / Parte 2 / Parte 3 / Parte 4 / Parte 5 / Parte 6

Livro I - Capítulo 6, parte 1

O castelo Nodomastilus ficava ao norte de Buvaj, e à sua volta desenvolvera-se um próspero vilarejo. Não havia uma hierarquia imposta por ali, mas ela existia. O exército dos Nodomastilus era de tamanho suficiente para proteger todo o vilarejo, ao todo cerca de cem famílias. Os moradores precisavam somente pagar uma pequena taxa todo mês de Exaroth - o início do verão, representado pelo deus do zelo e da justiça. De fato, ao fazer as contas, a taxa não seria suficiente para manter quinhentos soldados treinados e alimentados, mas ninguém se importava com isso - ninguém fazia essas contas por ali. Além do mais, nenhum habitante era forçado a realizar nenhum tipo de trabalho para a família Nodomastilus. Os escravos serviam à família do castelo, e eram comprados na "rota dos escravos", uma longa estrada norte-sul que passava a leste dali. Quatro dias atrás Fladon, o encarregado dos escravos, um homem na casa dos cinquenta de músculos flácidos mas avolumados, havia adquirido uma bela elfa no leilão. Shap, um goblin conhecido de Fladon, dissera que ela estava desmaiada por dias seguidos, mas não estava morta, e poderia fazer um preço camarada.

A elfa foi inspecionada e a maioria dos compradores não a quis, pois tinha as partes íntimas avariadas. Fladon deu um lance maior do que os dos compradores restantes e ficou feliz pela aquisição. Resolveu cuidar dela até que despertasse, o que não aconteceu. Ela tinha horríveis feridas nos ombros, nas costas, no braço esquerdo e no flanco esquerdo, sem contar o que lhe haviam feito entre as coxas. Os músculos eram bem torneados e tinham ótimo aspecto, perguntava-se se era uma guerreira. O encarregado a manteve em seus aposentos particulares, o que não era grande coisa, mas ainda assim bem melhor do que junto com os outros escravos. Aplicou óleos e curativos, de modo que dois dias depois já tinha um aspecto bem melhor.

Até aquele momento não havia contado a ninguém sobre ela, mas logo contaria. Enquanto isso aproveitou-se dela como pôde, mas o fez de maneira bem mais carinhosa do que os goblins. Fladon podia ter praticamente a mulher que quisesse, pois seu cargo era de certo prestígio e sua aparência não era ruim. Mas aquela elfa o havia enfeitiçado, talvez por causa de sua incomum vulnerabilidade - aquele estado de coma persistente a deixava com um rosto sonhador o tempo todo, e o corpo era muito sedutor. Podia literalmente fazer o que quisesse. Foram bons dias.

Quando finalmente chegou a hora de colocá-la junto com os outros escravos, deixou-a nas mãos de Nauna, uma das servas mais antigas do castelo. Ainda estava inconsciente, mas não podia mantê-la por mais tempo em seus aposentos. Nauna, uma anã de meia idade, manteve Aliandra protegida dos homens. Não que inexistisse organização entre eles, ninguém ficaria fazendo algazarra, puxando a elfa para os cantos e fazendo com ela o que bem entendesse, afinal de contas Fladon estava lá para manter a ordem e quem saísse da linha três vezes era executado ou vendido. A anã teve que protegê-la dos homens que vinham de mansinho, na conversa melindrosa. Como Balyo - ele se sentou ao lado de Nauna e começou a acariciar a indefesa elfa, pedindo gentilmente que a anã o deixasse possuí-la em troca de favores posteriores, o que não deu certo. Já Leno, um jovem escravo cheio de truques, tentou uma aproximação parecida, mas a diferença era que a anã devia a ele um favor - ele a salvara tomando uma advertência no lugar dela após o misterioso sumiço de algumas frutas raras de um carregamento. Nesse caso Nauna não teve escolha e o deixou a sós com a elfa por algum tempo.

Esta noite Nauna estava acariciando os cabelos da jovem inconsciente em seu colo como de costume. Os homens na cela masculina e as mulheres na feminina, como sempre, para evitar confusões noturnas. Não eram celas como as de animais selvagens, e sim aposentos com compridas janelas gradeadas e portas grossas. Tochas eram mantidas ardendo do lado de fora.

Os pequenos animais noturnos emitiam seus monótonos sons e os homens da cela masculina murmuravam e às vezes riam, quando inesperadamente o jovem mestre chegou. Nedemus era filho do dono do castelo e não costumava fazer visitas aos servos. Ele estava de pé olhando para os homens, observando as expressões variadas que surgiam.

Nedemus então ordenou que todos se levantassem, inclusive as mulheres, pois libertaria um deles. Seu plano era estudar as reações diante da iminente liberdade, de modo que pudesse decidir quem levar. Alguns segundos depois todos estavam de pé, exceto a elfa.

- A moça também! - disse ele olhando para as mulheres próximas à elfa.

Nauna deu um passo à frente e explicou - Jovem mestre, ela está desacordada desde que chegou. Ninguém sabe o que ela tem.

domingo, 13 de julho de 2008

Livro I - Capítulo 5, parte 2

A pele, extremamente branca e lisa, parecia nácar. Ali, de pé, via-se que não tinha muito mais do que um metro de altura, apesar da ilusão que a perspectiva pudesse causar. Não estava se apoiando com as mãos, parecia confortável com um pé em um galho cheio de folhas amareladas e com o outro em outro galho, um pouco atrás, fazendo os quadris ficarem inclinados. O cinto era uma larga corrente negra que fixava-se abaixo da cintura, pouco acima da maior circunferência dos quadris. Tinha várias adagas enganchadas nos elos, para quem quisesse ver. O restante do corpo era coberto por correntes negras, algumas de maior calibre e outras bem finas, formando uma espécie de biquini e luvas vazadas. Um manto púrpura com capuz escorria pelos ombros e pelas costas, até as coxas, e na frente era aberto, revelador. Não havia nada demais nos seios expostos, nenhuma proporção exagerada - aliás, eram pequenos. No entanto estavam ali, e isso não passaria despercebido por um transeunte - fossem exagerados ou não. Mas apesar do magnetismo causado pela exagerada alvura, pelo ângulo dos quadris, pela pele exposta e pelo metal escuro, seus olhos pareciam atraí-lo mais. Eram dois globos branco-azulados, brilhantes na escuridão do capuz. Como duas estrelas solitárias na noite. Ali estava a pequena e misteriosa figura alva, negra e púrpura, esperando que Kzarden a observasse o quanto quisesse. Ela parecia sentir o olhar dele como algo físico, pois notava-se os músculos enrigecerem um pouco exatamente onde era observada.

Por fim, quando os olhos se encontraram, ela desceu com um único salto para trás. Ele achou que ela fosse embora, mas então a viu surgindo de trás da árvore novamente. Ela era realmente bem pequena. Apesar de tê-lo salvo e, aparentemente, fosse mais forte do que ele, a moça parecia cautelosa quando aproximou-se. As correntes negras emitiam som de metal contra metal, mas não pareciam fazer som algum momentos atrás. Trocara a furtividade pela curiosidade.

- Você é daqui, rapazinho? - a pergunta soou estranha a Kzarden, já que ela parecia ser tão jovem quanto ele, talvez um pouco mais velha. Após um instante de silêncio respondeu:

- Sou, sim. Posso saber quem é você? Aliás, obrigado pela ajuda - não via razões para mentir, apesar da aparência ameaçadora dela. Aqueles olhos brilhantes, ou melhor, radiantes, davam-lhe calafrios. E se ela pudesse detectar mentiras? Seria capaz de suportar as conseqüências?

Alija percebeu que deveria tomar cuidado e escolher bem as palavras. Se ele vivia por ali certamente conheceria histórias sobre demônios de correntes, aqueles que vivem sob as árvores desta floresta, nos escombros da antiga Capital Imperial. No entanto estava realmente procurando algum nativo que a ajudasse a achar o que procurava. A floresta mudara muito desde a última vez e antigas entradas para o subterrâneo já não existiam mais. Precisava de um guia... Odiava admitir isso.

- Meu nome é (uma pausa muito rápida, uma decisão repentina) Vuoja - se dissesse Alija correria o risco de ele já ter ouvido alguma coisa sobre ela.

Kzarden sabia de histórias terríveis a respeito das criaturas com correntes que habitavam a Floresta Acima. Hyumla lhe contara que eles viviam nos escombros da antiga capital de Itgar, abaixo de seus pés. Na clareira ele estava a salvo, mas ali... No entanto havia algo nela, uma ingenuidade subcutânea, quase invisível. Enfrentando o medo, olhou nos olhos dela, procurando entender o que era aquela sensação. E então uma lágrima escorreu subitamente pelo rosto dela.

Não, agora não! - pensou Alija. Aquele rapaz evocava uma tranqüilidade, uma paz capaz de fazê-la perder o controle sobre aquele corpo. E quando acontecia eram as pernas que travavam ou uma lágrima que escorria. Eram ações de Vuoja.

Espantado, Kzarden não foi capaz de resistir e perguntou:

- Algum problema, Vuoja?

Ah, não! Aquele rosto a estava desmontando. O fato de ele querer saber se ela estava com algum problema era tão... Doce! E sem querer piorou a própria situação ao revelar o nome de sua hospedeira. Cada vez que ele dissesse "Vuoja" ela perderia um pouco o controle. Como foi cometer tal besteira?! Precisava achar logo uma entrada para o subterrâneo e se livrar dele de uma vez. Mas antes era necessário mudar o clima entre eles. Se ficassem nesses termos, Vuoja poderia aflorar a qualquer momento e livrar-se da adaga, o que seria o fim para ela, pelo menos até que outra mulher a empunhasse. E esse era um risco que ela não pretendia correr. Afinal, esperara tanto tempo!

Ela se aproximou mais meio metro, puxou-o pelo peitoral da armadura e lhe deu um beijo. Ele aceitou. Ótimo. Se ele fizesse favores a ela por piedade seria péssimo. Mas se fizesse por paixão... Porém, decidiu não tocar no assunto dos subterrâneos pois despertaria suspeitas. Decidiu então conquistar mais sua confiança. Afinal não encontrara nenhum ser inteligente que pudesse guiá-la desde que chegara à floresta, e talvez não encontrasse outro além deste. E ela tinha pressa.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Pronúncia, Sufixação e Plural

Pronúncia

As vogais são pronunciadas abertas. Por questão de regionalismos, a pronúncia pode variar (de reino para reino ou em regiões isoladas), assim como em um idioma real.

“A” como em casa; “E” como em zero; “I”: como em cima; “O” como em copo; “U”: como em uva

Ditongos: o "W" e o "Y" representam os ditongos (duas vogais que ficam na mesma síliba, como "água"). Isso é importante para sabermos onde acaba cada sílaba, para que assim possamos pronunciar corretamente. Vejamos o nome do idioma - zarlia (que significa "idioma comum" em referência ao nome dos idiomas nos mundos de fantasia, chamados de "comum" ou "básico").
Observando, é possível saber que a divisão silábica é zar-li-a. Se fosse escrito zarlya, como "Y" é sinal de ditongo, as sílabas seriam zar-lya. Ou seja, o "W" e o "Y" nunca se separam da vogal principal.

Sílaba Tônica: é sempre a penúltima, exceto se a palavra terminar em consoante. Nesse caso a sílaba tônica é a última.

Exemplo: kakra (tempo) pronuncia-se ká-kra, e mitraus (amigo) pronuncia-se mi-tra-ús.
Lembrando dos ditongos acima, nota-se que a palavra zarlia pronuncia-se zar-lí-a ("li" é a penúltima sílaba). Se fosse "zarlya" pronunciaria-se zár-lya ("zar" seria a penúltima sílaba).

Terminação em "K": várias palavras terminam em "K". Nesses casos, podemos omití-lo na pronúncia, desde que seja mantida a tônica no final (já que a palavra original termina em consoante). Ex: shadak (futuro) pode ser lido como sha-dá, mas não como shá-da.

Consoantes: quanto às consoantes "S" nunca é pronunciado como "Z", e "X" não existe. No lugar dele temos "SH" ou "KZ". "C" não existe (usa-se "S" ou "K").

Sufixação

Alguns sufixos e radicais aparecem em duas formas, separadas por barra, uma iniciando em vogal, e outra em consoante, como n/en, kus/ikus e as/s (não se preocupe com a tradução deles por enquanto). Para saber qual das duas formas usar, observamos qual a terminação da palavra original: vogal ou consoante. Se terminar em vogal, sufixamos com a forma iniciada por consoante. Se terminar em consoante, sufixamos com a forma iniciada por vogal. Semivogais (y e w) contam como consoantes.

Plural

Adicionar o sufixo n/en (veja regra de sufixação, acima).
Exemplo: iat (eu) no plural fica iaten (nós). Mitra (amizade) no plural fica Mitran (amizades).

Numerais, Tempo e Cores

Por enquanto os tópicos sobre numerais, tempo e cores permanecerão juntos, já que são pequenos individualmente.

Numerais

Os numerais podem ser utilizados como radicais em certos casos, como o modo ordinal. Exemplo: dizer "uma pessoa" é "ek us" (separado), mas dizer "primeira pessoa" (ordinal) é "ekus" (junto). É como se o numeral fosse uma "qualidade" do substantivo, como um adjetivo.

0: Sush (é também um radical, veja a lista)
1: Ek (é também um radical, veja a lista)
2: Dvas
3: Tray
4: Kat
5: Pak
6: Sik
7: Sap
8: Ast
9: Nav
10: Das
100: Satin
1.000: Sahasra
1.000.000: Sasahasra
1.000.000.000: Sasasahasra
E assim por diante, juntando mais um “sa” para cada três zeros.

Para formar números é só juntá-los como em português. Ex: 1415 é "sahasra kat satin das pak".

Tempo

A contagem do tempo varia de mundo para mundo. Como kakra é o radical para tempo, usa-se utkakra (ut+kakra) para períodos curtos, como uma hora ou até mesmo um dia; kakra em si representa um ciclo médio, como uma semana ou um mês; itkakra (it+kakra) é usado para períodos grandes, como um grupo de meses (como uma estação do ano) ou um ano.

Cores

Para expressar a idéia de cores, deve-se usar os cinco radicais correspondentes (Aur, Blar, Sye, Lae e Traks), juntos ou misturados. Azul claro fica Laesye, e vermelho escuro fica Traksblar. As misturas de cores, como laranja e verde, são expressas misturando-se os radicais (azul+amarelo para verde, azul+vermelho para roxo, azul+vermelho+amarelo para marrom e assim por diante), lembrando-se que, ao misturar radicais, o último radical é o predominante (veja em Construção das Palavras). Portanto, pode-se dizer a cor verde como Aursye (dando mais importância ao azul) ou Syeaur (dando mais importância ao amarelo).

Lista de Radicais

Clique nos radicais para acessar os posts individuais de cada radical.

A lista apresenta o radical em negrito e, após os dois pontos, o verbo em português (no infinitivo). Entre parênteses aparece o substantivo / adjetivo / advérbio (para usar com kus/ikus ou com outros radicais).

Aj: animar, dar vida (animal, coisa que se mexe, ser não-inteligente)
Alde: sonhar, imaginar (sonho, imaginação)
Aruk: andar, ir lentamente (perna, pé, devagar)
As ou S: entender, compreender (compreensão, divino, sagrado)
Ast: quebrar,estragar, ferir (ataque, ferida, acidente, mal entendido)
Ate: trocar (comércio, transação)
Aur: amarelo
Ba: ficar, manter (estacionário, maneira, modo, tabu)
Balo: pressionar, apalpar (protuberância, montanha, botão)
Blar: vermelho
Dari: desenhar, escrever (imagem, manuscrito)
Din: proteger, envolver, ajudar (forma, pele, casca, ajuda)
Dora: enlouquecer, assustar (loucura, susto)
Drava: melhorar (bom)
Drayaka: piorar (ruim)
Eg: utilizar (ferramenta, utilidade)
Ek: restar, manter, segurar (um, restante)
Er: ensinar, compartilhar (ensinamento)
Eva: embelezar, enfeitar (belo, enfeite, feminino)
Fel: olhar, observar (olho) OBS: Fel+Eg é óculos ou luneta
Filag: liderar, cozinhar (fogo, quente)
Frit: por, colocar, vestir (roupa, vestimenta)
Gar: ordenar, governar (reino, domínio)
Gav: matar, fechar, desligar (morte, fim)
Gwar: impor, intimidar (imposição, masculino)
Hali: mudar, mover (diferente, móvel)
I: ser, estar (sim, afirmação)
It: aumentar (grande, alto, muito)
Jud: dividir, separar, escolher (oposto)
Jun: coisa fina e longa, fio
Kakra: circundar, rodear, girar (tempo, ciclo, círculo, roda)
Kala: contar, calcular (número)
Kama: amar, sentir (coração, sentimento)
Kef: encantar magicamente (magia)
Kur: entrar (dentro) OBS: U+Kur é fora
Lae: iluminar, amanhecer (branco, luz, sol, dia)
Let: estar presente, acordar (consciência, desperto)
Lia: falar, comunicar (boca, língua, linguagem, palavra, nome)
Liun: enganar, iludir, trair (ilusão, traição, lua)
Los: viver, nascer (vida, nascimento)
Lush: atrair, fazer sexo (atração, sexo, sensual)
Ma: cheirar, invisibilizar (clima, ar, gás, cheiro, etéreo, invisível)
Mali: tranquilizar (natureza, tranquilidade, madeira)
Mitra: aliar (amizade, parente, clã, sociedade) OBS: Mitra+Us é amigo
Nago: persuadir, influenciar, escorrer (água, persuasão)
Nai: enrijecer, esfriar (metal, frio, duro)
On: fazer, abrir, ligar (mundo, tudo, completo, atividade)
Ot: dar força, energizar (força, energia, poder)
Pavu: ponderar, decidir (terra, decisão)
Prast: tirar a beleza, sujar (feio, lixo, sujeira)
Pu: enfraquecer, sensibilizar alguém (fraco, frágil, sensível)
Ria: rejuvenescer, renovar (novo, jovem)
Sarvi: pegar, capturar (mão, caça)
Shadak: revisar, acontecer, trazer, invocar (depois, futuro, à frente)
Shidak: preparar, lembrar (antes, passado, na direção de trás)
Shiv: encurvar, apreciar, venerar, contemplar (curva, esquina, súdito)
Sua: sentar, descansar, dormir (lugar de descanso)
Sush: remover, esvaziar, esquecer (zero, ausência)
Sye: azul
Tan: causar, originar (causa, origem, porque)
Tay: querer, necessitar, procurar, buscar (necessário, busca, procura)
Tis: parar, barrar (frente, face, muro) OBS: U+Tis é atrás
Tor: pensar, prestar atenção (pensamento, cérebro, perigo)
Traks: escurecer, anoitecer (preto, escuro, noite)
Tur: premiar, congratular (nobre, prêmio, tesouro, dinheiro)
U: não-ser (não) – “ausência do ser”; usado geralmente em textos religiosos
Uba: divertir, entreter, rir (diversão, risada)
Us: interpretar (pessoa, criatura inteligente)
Ut: diminuir (pequeno, baixo, pouco)
Vandi: preencher, envelhecer (cheio, antigo, velho)
Vaser: conter, possuir, carregar (veículo, mochila, copo)
Vasta: coisa fina e ampla, superfície, lugar
Vatri: acompanhar, casar (próximo, vizinho, casamento)
Vil: comer, beber (comida, sustento)
Vir: tocar instrumento, emitir som (som, barulho)
Vya: atravessar, cair, dar, enviar (buraco, passagem, porta)
Yud: lutar, competir, argumentar (guerra, competição, argumento)
Zar: igualar, parecer algo (parecido, igual, comum, lei)

Zarlia: Idioma para Cenários de Fantasia

Este post é a raiz para acessar todos os outros posts sobre Zarlia. Clique nos links abaixo para detalhes de cada tópico.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Livro 1 - Capítulo 5, parte 1

Anteriormente Kzarden resolveu sair em busca de seu lobo, que há tempos não retorna com as "compras". Para isso equipou-se com o que tinha disponível e iniciou sua jornada após ouvir os conselhos de Hyumla, a coruja.

As árvores passavam em rápida sucessão pelo seu campo de visão. O coração parecia querer explodir enquanto o suor criava ilhas escuras de suor pela roupa sob a armadura. O bater das placas de metal chamava a atenção dos predadores, e Kzarden já havia abandonado a furtividade, trocando-a pela pura e simples corrida pela sobrevivência. O sol já ia bem acima do horizonte, aparecendo sobre as copas das árvores e o urso-bola não desistia da perseguição. Era como se estivesse tentando se vingar das risadas lançadas pelo garoto que o via rolando atrás dos lobos em sua felicidade sobrenaturalmente exposta.

No início ele sentiu medo, mas depois de um quarto de dia correndo o medo misturado com o cansaço começou a resultar em um estranho sentimento de frustração e raiva. Quando a mata densa deu lugar a um rio de forte correnteza, Kzarden cambaleou e caiu ao tropeçar nos seixos da margem.

- De novo esse tipo de sentimento... - disse ele com a voz amarga e rouca. Ele já havia sentido isso antes, a primeira vez foi quando ficou bravo por ter tido que sair da clareira, no exato momento que pisou fora dela. Foi como uma ferida na alma, algo que ele nunca havia sentido antes, pois aquele lugar mágico impedia que tais emoções se manifestassem. Não, não era isso - impedia que tais emoções fossem criadas. A segunda vez que a onda de raiva o inundou, fazendo arrepiar os pelos da nuca e forçando os olhos a fecharem para conterem as lágrimas, foi ao ser rejeitado pela linda filha do vendedor de Argila de Mitras. Além disso, Kzarden também já enfrentou a raiva causada pela impotência diante do risco de morte. Exatamente como agora. Seus músculos não se comparam aos do urso e ele se sentiu impotente.

Recompondo-se, continuou atravessando o rio através das pedras o mais rápido que pôde. Então entrou na mata do outro lado. Encontrou algumas árvores tão juntas que formavam uma casinha apertada, onde entrou sem pensar. Lá atrás o urso de mais de quatro metros lançou-se de uma margem à outra com um único salto. Seguindo o cheiro, logo chegou às árvores que serviam de abrigo a Kzarden. Ele golpeou com a pata através dos largos troncos, mas não alcançava o alvo. Circulou pelo perímetro e não encontrou entrada. Urrou, fazendo o ar tremer. As folhas das árvores tremeram também e um macaco caiu de um galho, agarrando-se imediatamente a outro mais embaixo. Irritado, o urso golpeou o ar, atingindo acidentalmente o animal. O corpo explodiu em um show sanguinolento, arremessando tripas, ossos e algo que ele havia comido no almoço - mas em vez de sair vomitado, pela boca, saiu direto do estômago rompido. A morte foi rápida, sem dor. O rabo solto e espasmódico atingiu Kzarden, que nem percebeu. Notaria o rabo dias depois, preso em sua mochila.

No meio da madrugada o urso decidiu deitar. O prisioneiro da árvore também já ia sendo embalado pela canção de ninar soprada pelos ventos noturnos. As estrelas estavam cobertas pelas copas das árvores, mas eram tantas que era possível vê-las através de quase qualquer vão entre as folhas. Mas como de costume em matas tão cheias de criaturas como essa, o silêncio durou pouco. Não houve aviso, nem passos revelados pelas folhas secas ou algum galho estalando. O som veio direto no ouvido esquerdo:

- Algum problema, bonitão? - a voz foi tão baixa que era impossível detectar gênero.

Kzarden quase gritou por reflexo, mas a mão que segurava sua boca fechada impediu que o som saísse. Virou os olhos cuidadosamente para a esquerda, sentindo medo pela possibilidade da criatura não querer ser vista. O que viu foram cabelos em longas tranças e um queixo branco e miúdo. A boca, também pequena, era avermelhada e o hálito era agradável, feminino. Então notou que as mãos que seguravam sua boca eram também pequenas, era necessária a palma da mão inteira para tampá-la. Os dedos não conseguiriam. Sua voz então retornou, desta vez mais alta, porém respeitosa:

- Oh Itaj, anat yo garvasta iar wa, iaten arukershadak.

(Essas palavras, faladas no idioma comum, ou Zarlia, querem dizer "Oh, Grande Animal, nos deixarás passar apesar de este ser teu território". Note, leitor, que se trata do idioma falado pela maioria das pessoas em Aldetoron. Todos os diálogos estão aqui reproduzidos em português por mera conveniência. Esta frase, em especial, foi escrita no formato original, do jeito que foi falada).

O grande urso então levantou-se e deu uma demorada caminhada em torno da árvore, demonstarndo seu desprezo. Urinou nas raízes expostas, cheias de musgo e fungos, deu meia volta e foi embora. Kzarden observava perplexo enquanto o gigante marrom traçava seu caminho de volta, passando pelo rio e adentrando a mata do outro lado. A mão já não tampava mais sua boca.

Um sentimento derivado do asco pelo cheiro da urina, das dores pela posição desconfortável e da urgência de ir embora o levou a sair do abrigo. Deu dois tapinhas no tronco e um suspiro engasgado enquanto arrumava as alças da mochila e as juntas da armadura. Lembrou-se então da moça de tranças e virou-se, procurando-a. Encontrou-a sobre os galhos, alguns metros acima, e então pôde analisar sua salvadora (veja na parte 2...).