Dragões e deuses vivem em guerra no 2º ciclo. Dragões contra deuses, dragões contra dragões e deuses contra deuses. Vejamos então quais as similaridades entre eles e o que ocasionou a guerra que já dura vários séculos.Deuses
Chama-se de “deuses” em Aldetoron, independente do ciclo, toda criatura sobrenatural dotada de poder significativo desde sua criação ou nascimento. Por “criatura sobrenatural” entende-se aquele que não nasceu de forma natural, ou seja, não tem pai ou mãe, ou os tem de forma incomum (como alguém nascido da cabeça da mãe em vez do ventre, ou gerado sem fecundação, ou simplesmente saído das águas do mar). E “poder significativo” é aquele acima dos limites mortais, seja a capacidade de lançar raios que destroem montanhas ou a persuasão que permite acumular fiéis fanáticos.
Essa descrição se aplica àqueles seres criados por Aldetor, através da divisão de sua consciência. Ele caminhava pela Terra durante seu 2º sonho (veja este texto sobre o 2º ciclo) e se deparava com culturas novas a cada instante, e a cada vez que isso acontecia, tal fato refletia no sonho (Aldetoron) com o aparecimento de novos deuses gerados por seu consciente, que na verdade são pequenas partes dele mesmo. Muitos possuem inclusive os mesmos nomes dos deuses da mitologia da Terra (como Enki, Thor e Horus).
Acontece que, nesse ciclo, uma espécie de criatura não se encaixa exatamente nessa descrição, e no entanto seus espécimes também são chamados de deuses por todos os povos: os dragões.
Dragões
Tiamat foi o primeiro resultado da interação de Aldetor com a cultura da Terra. Naquela época ele não tinha conhecimento sobre o que as influências externas poderiam causar ao sonho (lembremo-nos que ele aprendeu a sonhar acordado, mantendo somente seu terceiro olho fechado). E assim que entrou em contato com a mitologia babilônica, seu inconsciente gerou Tiamat a partir de matéria-prima do caos elemental, que por sua vez criou outros dragões.
Tendo sido essa a origem da primeira dragoa, conclui-se que enquanto os deuses são seres criados pela vontade de Aldetor com matéria do mar astral, dotados de vida a partir de uma fagulha de sua própria consciência, há outros seres que surgem do caos elemental (ou mar primal) sem sua intervenção ativa, como foi o caso de Tiamat.
Nas palavras de Tiamat, tiradas do livro sagrado Oterlia:
Dragões são deuses, e tal fato não se põe à prova. Não há diferença entre um nascido-deus e um dragão, pois os feitos de poder não são definidos pela forma como nascem os agentes.
(...)
Sou a essência primal que se misturou à essência astral; o ser rastejante que aprendeu a rasgar os céus; a serpente que adquiriu asas de pássaro; eu sou o dragão.
(...)
O Sonhador [Aldetor] cria deuses cuja origem é naturalmente astral, e os deixa misturarem-se aos mortais no solo primal. Eles são os pássaros que ganham corpo de serpente.
Com essas palavras Tiamat queria dizer que dragões são “deuses invertidos”, ou seja, criaturas que atingem a deidade pelas características que possuem – suas asas, garras, presas e magia inerente. Os dragões são as serpentes que ganharam asas (que atingiram a divindade), enquanto os deuses criados por Aldetor são os pássaros que ganharam corpo de serpente (que adquiriram defeitos, como a ganância). Ela define, portanto, ambos como corrompidos pela característica primal do mundo mortal – tendo os dragões nascido para isso, pois eles são primariamente primais, e os nascidos-deuses são primariamente astrais, mas por terem “descido” ao plano material, equipararam-se aos dragões.
Em outro trecho do Oterlia, Tiamat se declara a respeito do início da Era das Guerras (veja “Cronologia”, abaixo):
Não se podem perdoar os nascidos-deuses por sua insolência. Eles adentraram o domínio dos dragões [o plano material] e se autodenominaram reis em vez de permanecerem em seus domínios astrais, onde é seu lar de direito (...) [e por isso] declaramos guerra.
Cronologia
Em um próximo post veremos mais sobre o governo de Aldetoron no 2º ciclo. Por enquanto, um resumo das três eras é o suficiente para ilustrar o que já foi explicado:
- A Era dos Mortais (0-516): durante mais de cinco séculos líderes mortais ergueram reinos e construíram a sociedade inicial do 2º ciclo. A partir do momento que Aldetor chegou à Terra, eles passaram a ter o apoio dos deuses que Aldetor ia criando no mar astral (inicialmente reflexos dos panteões sumério, persa e babilônico).
- A Era dos Dragões (516-708): quando Aldetor chegou na Terra (novamente, é importante conhecer algumas características do 2º ciclo), o primeiro contato que teve foi com a cultura do oriente médio, cuja mitologia mesopotâmica causou a criação inconsciente de Tiamat em Aldetoron. Como Aldetor ainda não conhecia bem a capacidade de seu sonho absorver influências externas, Tiamat nasceu do inconsciente de Aldetor, sem nenhum esforço ativo por parte dele, tornando-se assim uma deusa criada pelo sonho em si, e não pela divisão de sua consciência. Tiamat então criou seus filhos e os transformou em reis.
- A Era das Guerras (708-?): Mesmo enquanto os dragões iam demarcando seus territórios, Aldetor continuava a popular seu sonho com mais e mais deuses, reflexos dos panteões sumério, grego e nórdico, entre outros. Esses deuses, no entanto, somente começaram a sair do mar astral para habitar o plano material séculos depois. E quando muitos deles finalmente decidiram desafiar os dragões (e até mesmo uns aos outros), teve início a era atual.



3 comentários:
Olha.... esse cenário está cada vez mais complexo e mais fechado, acho excelente as explicações e os porquês das coisas, se tem uma coisa que é brochante em cenários de campanha são coisas mal explicadas ou simplesmente "porque sim". Muito bom ^^
Bem legal essa história, e para corroborar ela, segundo a mitologia babilonica os dragões foram de fato criados por Tiamat :)
De fato, meu grande projeto de vida com relação ao RPG é criar um cenário com base mitológica completa, e isso inclui o 2º ciclo que, especificamente, mescla-se com a mitologia da Terra.
Quanto mais profundo o cenário, melhor, mas isso é difícil de realizar. Tudo fica imensamente mais fácil quando nos utilizamos de simbolismo real.
Não me refiro, com isso, ao uso de deuses dos panteões da Terra, mas sim à idéia da mitologia como um todo.
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