segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O Pesadelo


O sol sumiu como se engolido pelas nuvens dançantes, seus raios luminosos dando lugar a desdenhosas correntes de ar quente que pareciam estapear meu rosto com desprezo. Formas vis moldavam-se e metamorfoseavam-se, fazendo das céleres nuvens sua matéria-prima. O negrume que se seguiu foi tão profundo que não se podia chamar de noite, pois a grande lua Maya também desaparecera completamente, levando consigo seu brilho prateado.
Enquanto meus olhos procuravam se acostumar com a escuridão, pontos brilhantes iam surgindo pelo firmamento: vermelhos, azuis e dourados, e dali a pouco também todas as outras cores. Não eram estrelas, no entanto. As estrelas continuavam visíveis atrás daquilo tudo, quase escondidas de terror. Aquelas coisas eram luas, centenas delas, cada uma refletindo a luz das estrelas e mostrando suas próprias cores. Luas do Pesadelo; criações nefastas do subconscinte perturbado de Aldetor, nosso deus sonhador. Algumas apareceram bem próximas, quase do mesmo tamanho de Maya.
A seguir rastros luminosos começaram a surgir em meio à já caótica cena celestial, como estrelas cadentes ou caudas de cometa. Mais tarde vim a descobrir que eram escadarias - cada uma ligando uma lua ao chão desta terra. Pois é assim que as criaturas de Pesadelo chegam até aqui embaixo. Elas descem de suas luas por escadas.
- Relato de um observador diante do início de um Pesadelo


Aldetoron, o sonho de Aldetor, às vezes sai do controle (em média a cada 5 ou 10 anos). Algum evento importante como uma grande guerra, a chegada de um ser poderoso de outro plano, as atividades de algum deus ou até mesmo coisas que acontecem fora do sonho (em volta de Aldetor, seu irmão e seus pais) podem fazer com que o mundo-sonho se transforme em um pesadelo.
O efeito imediato é um isolamento da mente de Aldetor enquanto o subconsciente toma o controle dos eventos, o que acaba culminando na desconexão de seus pais - Laefel, o sol, e Maya, a grande lua - do sonho. Assim, Aldetoron cai em uma profunda escuridão e fica quase completamente isolado.
A seguir os frutos do subconsciente de Aldetor começam a vir para perto do continente principal: inúmeras luas, cada uma com uma escadaria de acesso ao solo. Por ali descem criaturas que não deveriam existir: centopéias com cabeças de animais, aves com muitas asas e vozes lamuriantes, matilhas de lobos com mãos humanas em vez de patas e imagens deturpadas de deuses de outros mundos. E quem quer que se arrisque a subir por uma dessas escadas arrisca a própria sanidade, pois a geografia das luas geralmente não respeita as leis da física e os personagens podem chegar a uma cena esculpida por Picasso a partir de uma tela de Dalí.

Os Sóis, as Luas e o Pesadelo

Aldetoron tem cinco luas próximas, cada uma representando um aspecto de Maya, a mãe de Aldetor e também uma deusa. São elas Maya, a prateada, a real avatar da deusa; Mecia, a lua mãe; Miria, a lua mulher; Moika, a lua ininteligível; e Muvia, a lua esposa (mais detalhes em um futuro post sobre as luas).
Durante o Pesadelo a lua Maya desaparece, assim como o sol, pois os pais de Aldetor são "banidos" do sonho. As outras quatro luas permanecem, pois são criações da mente de Aldetor representando os quatro aspectos que ele vê em sua mãe. Essas luas são habitadas (Mecia, por exemplo, é lar dos Haika).
Já o sol, que é o avatar de Laefel, pai de Aldetor (na verdade são dois sóis, os dois olhos da serpente gigante, mas geralmente Laefel está indiferente, olhando de lado, e por isso somente um sol aparece), dá lugar a duas luas desérticas e vulcânicas de tamanhos iguais aos sóis, mas sem brilho. Essas "luas temporárias", que voltam a se transformar nos sóis ao fim do Pesadelo, são conhecidas como Laefelliunen (singular Laefelliun), ou seja, luas de sol (no idioma zarlia).
Além disso, inúmeras luas existem muito distantes desses corpos celestes mais próximos, geralmente confundindo-se com as estrelas. Essas luas distantes são representações físicas do subconsciente de Aldetor que, durante os Pesadelos, aproximam-se, várias chegando quase à distância normal da lua Maya. O resultado é um céu negro cheio de luas, cada uma ligando-se ao solo através de escadarias de estilos variados - madeira, ouro, cristal, algumas belíssimas e outras mais simples. E o que desce por essas escadas é o que faz do Pesadelo ser realmente um pesadelo.

As Criaturas do Pesadelo

Podemos usar qualquer pintura surrealista como base para uma criatura das luas. Esses seres originam-se em lugares de influência onírica tão forte que podem causar alucinações e loucura.
Em termos de jogo, essas criaturas têm o descritor "lunar", de modo que existem itens mágicos e poderes específicos para esse tipo de ser (em breve). Além disso, muitas possuem também o descritor "aberração" (aberrant).
Monstros do Livro dos Monstros podem ser usados como base, alterando somente a aparência, seguindo a opção de Mudanças Cosméticas da página 175 do Livro do Mestre (em inglês). E como os bônus de ataque e os danos são baseados no tipo e/ou no nível da criatura, e não no tipo de ataque, é fácil transformar um ataque de mordida em um ataque de tentáculo, pois não é necessário mudar nenhum valor.
Veja a tabela "Estatísticas de Monstros por Papel" (Monster Statistics by Role) na ágina 184 e a tabela "Dano por Nível" (Damage by Level) na página 185 do Livro do Mestre para ajustes, caso necessário.

As Escadarias do Pesadelo

As escadas são o meio de transporte mais rápido (e geralmente o único) entre o solo e as luas. A lua Shadakit, por exemplo, realiza trocas comerciais com os reinos continentais através de navios espaciais, que são navios voadores preparados para viagens acima das alturas das nuvens sólidas. Mas como qualquer lua, em períodos de Pesadelo ela se aproxima e uma escada é criada, facilitando muito o acesso.
Apesar de existirem luas "seguras" onde vivem pessoas comuns, a grande maioria das luas tem criaturas cuja inteligência é inexistente ou totalmente alienígena, de modo que a interação com esses seres muitas vezes acaba mal. Por isso, qualquer guarda real ou milícia local tem ordens expressas para destruir qualquer escada que apareça (exceto aquelas que levam às luas "amigas", é claro).
Uma característica comum a todas as escadas de Pesadelo é que, a cada degrau que se avança, uma distância muito maior é percorrida efetivamente. Assim, a cada passo, em vez de avançar cerca de 20cm para cima ou para baixo, uma distância de 1km ou mais é percorrida. Isso geralmente causa vertigem por causa da paisagem que vai ficando mais próxima ou mais distante muito rapidamente.
A resistência de cada escada depende do material que ela é feita. Consulte o Livro do Mestre (página 65 na versão em inglês).
Lembre-se que, ao destruir alguns degraus de uma escada, na verdade alguns quilômetros dela são invalidados, o que acaba inutilizando-a toda.

CRIAR ESCADARIA DE PESADELO
Enquanto este ritual é realizado, uma escadaria vai surgindo em pleno ar, subindo ou descendo a partir do ponto especificado.

Nível: 20
Categoria: Criação
Tempo de Conjuração: 1 hora; veja abaixo
Duração: Até o fim do Pesadelo
Custo dos Componentes: PVs da estrutura x 100PO; veja abaixo
Preço de Mercado: 25.000 PO
Perícia Chave: Arcanismo

Este ritual pode ser realizado somente durante períodos de Pesadelo.
Para encontrar o preço de realização do ritual, procure os PVs básicos do material desejado na tabela Propriedades dos Objetos (página 65 do Livro do Mestre, em inglês), usando a linha correspondente à largura desejada para os degraus, e multiplique pelo fator do material desejado (madeira, vidro, pedra etc.), na mesma tabela. Multiplique o resultado final por 100 para saber o custo em POs.
Assim que o ritual for completado, a escadaria é completada.
O tempo de conjuração cai para 30 minutos com um resultado de 20 no teste de perícia, 5 minutos com um resultado de 30 e 1minuto com um resultado de 40 ou mais.
No momento da criação o conjurador escolhe o material, a largura e o formato da escadaria, que pode ser qualquer um (espiral, em ângulo, reta, em lances etc.). Qualquer que seja o formato, deve haver degraus.

O que Acontece Depois?

Após o período inicial de escuridão, o Pesadelo pode seguir rumos inesperados. Um sol (ou mais de um) pode aparecer, os céus, a água e o fogo (por exemplo) podem mudar de cor e o clima pode ficar totalmente maluco.
Mutações mais extremas como mudança na gravidade e efeitos que tragam efeitos na mecânica do jogo geralmente ocorrem somente em áreas isoladas, com influência onírica normalmente elevada. Mesmo durante um Pesadelo a consciência dos seres pensantes em grandes aglomerações impede mudanças bruscas nas proximidades. No entanto, essas "auras de imutabilidade" ficam bem menores durante um Pesadelo, de modo que uma parte ligeiramente vazia de uma cidade pode ser brutalmente alterada por influência onírica. Assim, é altamente recomendável juntar-se à multidão, mesmo em grandes capitais.
Além disso, as criaturas estranhas são misticamente atraídas para as regiões civilizadas. A explicação para isso varia entre os estudiosos, mas todos concordam que a aura de imutabilidade produzida pelas pessoas da civilização são, de certa forma, magnéticas e atraem os seres oníricos para perto.

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