quarta-feira, 16 de abril de 2008

Como tudo começou?

Feche seus olhos, o que você vê?
Leva um tempo pra conseguir crer
Sinta o vento beijando seu queixo
Segure as lágrimas, faça um desejo
Agora sonhe, respire...


- Angra, Wishing Well

A introdução desta música resume perfeitamente o início de Aldetoron. É o exato momento em que Maya e Laefel, os pais de Aldetor (o sonhador), entram no sonho. Ele pede que Maya feche os olhos, e assim eles sonham também, e então a família se reúne em um mundo novo e vasto, enquanto seus corpos reais permanecem enclausurados. A fuga deles para o interior da mente de Aldetor é o início de tudo, o tempo zero. Mas como aconteceu?
* * *

E então havia eles e somente eles. Os que restaram.

Os dois prometidos nem mesmo chegaram a se casar, e agora não havia mais ninguém que pudesse torná-los marido e mulher. Felizmente eles já eram Klatras (imortais vigilantes), pois tinham passado pelos ritos antes do fim. Eles continuaram vagando pelo Vabba (a vastidão negra estrelada entre os mundos, literalmente o espaço sideral) até quase ficarem loucos pelo isolamento. O Lampa (bolha protetora) criado por ele passou a ser a casa dos dois, e por isso não tinham espaço para se locomoverem. O casal passava muito tempo meditando e sonhando - como mandam os ensinamentos em casos de isolamento como esse. Eram sonhos comuns e eles somente se reencontravam ao acordarem,

(mas ao menos ele via a pequena Nipia)
(mas ao menos ela via seu povo, principalmente seu primo)

e ficar acordados era enlouquecedor.
O juramento da castidade pré-nupcial teve que ser quebrado, mas já não importava mais. Na verdade eles o quebraram diversas vezes, e de diversas formas. E no momento que o fizeram, a solidão teve seu fim decretado secretamente: duraria mais 2.520 anos - mas nenhum dos dois sabia disso.

Foi lá pelo terceiro ano que Laefel descobriu que eles deveriam se adequar ao tempo dos Klatras. Os ensinamentos diziam que esse era o caminho, mas eles não sabiam como fazer. Maya controlava a passagem do tempo de uma forma estranhamente perfeita desde que tiveram o primeiro sexo, e com isso conseguiu ajudar seu companheiro na longa jornada do aprendizado.
Os dias eram longos, mas iriam parecer curtos. Para os imortais não importava se o tempo passasse em ritmo acelerado, pois seus corpos não iriam sofrer os efeitos do tempo. Além disso, a terra natal não existia mais, e já não importava se em um piscar de olhos passassem dias suficientes para que amigos e família envelhecessem. Não havia mais amigos e família, não havia corpos para enterrar e não havia lugar onde enterrá-los se existissem. E a cada vez que abriam os olhos o Vabba estava lá para lembrá-los novamente. Um estímulo e tanto para forçá-los a conseguir, e ao mesmo tempo um empecilho para se concentrarem na meditação.

Graças a Maya, finalmente conseguiram: dez anos se passavam, mas para eles era um dia.

A esperaça novamente ressurgiu, pois nesse ritmo rapidamente encontrariam algum lugar novo (um planeta novo) para descerem, mas isso não aconteceu. O tempo passava 3.360 vezes mais rapidamente, mas nem mesmo essa velocidade fazia com que as estrelas sequer se aproximassem em ritmo consolador. E então o desespero pela primeira vez chegou de forma arrebatadora. Mas não durou muito, pois Maya descobriu que estava grávida.

Como dizem os sábios, uma criança a caminho é sinal da resolução de uma crise. Eles decidiram que a o sonho da criança seria seu novo lar. Resolveram brincar de deuses mas não sabiam completamente das consequências. Na ocasião do nascimento descobriram que eram gêmeos (na verdade uma alma em dois corpos), e que o segundo deveria ser o finalizador de cada sonho, a morte personificada. O filho tão desejado foi chamado Aldetor, que significa "mente [tor] que sonha [alde]", e seu algoz proferiu o próprio nome ao nascer: Gavius, que significa "pessoa [us] que mata [gav]".

E então Laefel levou Maya para o novo lar e eles chegaram voando enquanto ele cantava para ela. Tudo o que eles sentiram nesse momento (saudades, realização, nostalgia, alegria, liberdade) repercutiu na mente de Aldetor e um pequeno local materializou-se sob a terra, o poço dos desejos. Eles comemoram a vitória e desse ato, que acontece simultaneamente com seus corpos reais, inicia-se uma nova gravidez que substituirá os corpos mortais dos gêmeos para manter intactas a alma imortal que eles dividem logo após o ritual do fim do ciclo, que coincidirá com o nascimento, quando Gavius matará Aldetor (e portanto matará também a si mesmo).

Fatos
  • O tempo para os klatras passa de forma muito rápida, ou seja, do nosso ponto de vista passa muito devagar: 2520 anos para nós são 9 meses para eles - o tempo de uma gestação.
  • Maya e Laefel estão em uma esfera transparente viajando pelo espaço, através das galáxias, procurando um novo lugar para "pousar".
  • Cada vez que nascem os gêmeos, Laefel engravida Maya novamente.
  • No fim de cada gestação, Gavius (o gêmeo-morte) mata Aldetor (o gêmeo-vida) e, por consequência, mata a si mesmo, pois dividem a mesma alma. Essa é a única forma de dois novos gêmeos poderem nascer, usando a mesma alma.
  • Os gêmeos recém-nascidos substituem os gêmeos recém-mortos, e o ciclo recomeça.
  • Cada vez que Aldetor morre, Aldetoron (o mundo que ele sonha) acaba.
  • Cada vez que Aldetor nasce, um novo mundo começa a ser sonhado - um novo ciclo.
  • Estamos no sétimo ciclo.
  • "Essas características de Aldetor como ter um gêmeo-oposto e sonhar um mundo são qualidades especiais raciais??" Sim, mais ou menos isso.
  • "Existem outros Aldetors por aí sonhando outros mundos??" Sim, desde que alguém mais da raça deles tenha sobrevivido, já que o planeta deles foi destruído.
  • "O texto deixa claro que Maya e Laefel não sabiam desses dois últimos fatos. Por quê?" Por que eles eram recém-formados na condição de klatras, uma espécie de evolução racial, e tiveram que descobrir essas características por si mesmos.
  • "Qual o nome dessa raça? É Klatra?" Klatra é o nome da evolução racial, como um novo estágio (pense como se fosse um inseto). O nome da raça é segredo ("segredo" NÃO é o nome da raça).
  • "O que vem a seguir?" Um resumo dos primeiros seis ciclos, e o histórico resumido do sétimo ciclo.

2 comentários:

Draganoth disse...

Noss...tive que ler duas vezes para entender!

A história é bem complicada e cheia de espera e desejo e lamentação. Ela é bem incomum, e eu acho que é isso que você pretende alcançar.

Sobre a resposta da minha pergunta, acho que ele fica bem explorável para jogadores de outros mundos saírem e voltarem, mas também acho que você deve criar uma coisa que seja muito única desse seu mundo para que eles permaneçam lá por uma própria escolha.

Estarei esperando os próximos posts para comentários.

Alexandre Ðraco disse...

Olá!
Espera, desejo e lamentação, é isso aí.
Quanto às "coisas únicas", elas vão começar a aparecer em breve por aqui.