quinta-feira, 17 de abril de 2008

Como começou? Como termina?

O Poço dos Desejos

No início, com a chegada de Laefel e Maya ao sonho do filho Aldetor, os dois notaram a extrema maleabilidade da paisagem. Afinal, Aldetor era muito jovem e extremamente suscetível. A pequenina mente pensante não sabia o que era um sol, uma lua ou a diferença entre céu, mar e terra firme. Chegando ao solo, o casal caminhou maravilhado, imaginando animais e vegetação, e assim apareceram pássaros dourados e árvores imortais.

Encantados pelas infinitas possibilidades e inundados por súbita onda de orgulho, transformaram-se em sol e lua. Laefel ergueu-se às alturas e tornou-se sol. Ficou tão grande e seus olhos tão radiantes que, se olhasse para baixo com a cabeça de frente, seriam visíveis dois sóis – seus dois olhos de serpente. Preferiu então permanecer de perfil, de modo que somente um sol aparecesse e o mundo não se esquentasse demais. Maya subiu também e tornou-se não somente a lua, mas cinco luas! Megalomania? Talvez, mas imagine-se no lugar deles. Quem não se daria pelos menos alguns luxos? Serem sol e lua foi só o começo: a seguir surgiriam os Shalmak (homens-salamandra, criações de Laefel) e os Liundari (os elfos de Aldetoron, criações de Maya).

Porém, diante dessa grandeza que adquiriram, ambos lembraram-se com tristeza das coisas pelas quais passaram para chegarem até ali, toda a ansiedade, solidão e tristeza por terem perdido amigos e família quando o mundo deles acabou. A nostalgia os atingiu profundamente e, sem perceberem, algo foi criado. Não parecia nada demais: um montinho de terra elevou-se e alguma umidade juntou-se ali, uma pocinha de água. As inúmeras criaturas que passassem por ali através dos séculos notariam algo de diferente, uma vibração que atinge a espinha, causando um agradável calafrio. Quem jogasse uma moeda e fizesse um pedido, o veria realizado.

Primeiro Ciclo

E então aconteceu uma festança de proporções gigantescas. Aldetor, em seu pequenino corpo de bebê, dava seus primeiros passos em seu próprio mundo, mas só aprenderia a tomar as rédeas de sua própria mente muito tempo depois. E então seu sonho não seria mais tão suscetível aos pensamentos dos outros, ficando mais "concreto" e consistente.
Em meio às comemorações, observando com ávidos olhos aquelas pessoas-cobra, as pessoas de orelhas pontudas e a paisagem recém adaptada por seus pais, Aldetor percebeu padrões simples, básicos. Ele não entendia a diferença entre as pessoas dançando e os pássaros voando, pois não julgava as coisas pelas formas. Subitamente ele se deu conta dos cinco elementos. Imediatamente cinco personificações surgiram - na verdade a consciência de Aldetor é que se dividiu em cinco.

Vorth: deus da Água
Filag: deus do Fogo
Pavus: deusa da Terra
Maliah: deusa da Madeira
Naidon: deus dos Metais

Aldetor continuou existindo no sonho, mesmo com a aparição dos cinco deuses. Esse corpo “residual”, não mais em forma infantil, e sim de um jovem, pode ser considerada um sexto deus, pois manteve os poderes de alterar o sonho. De fato, este se tornaria o líder do panteão.
Maliah, a deusa da Madeira, era idêntica a Maya (devido a um espelhamento da mente de Aldetor referente à figura materna). Aldetor acaba desposando Maliah e dessa união imprópria (fascínio pela figura feminina primordial, no caso a mãe) nasce um Atropal (vide livro dos níveis épicos), que reinaria dali em diante nos subterrâneos da Aldetoron, nutrindo-se da energia do poço dos desejos.

Os primeiros homens (aproximadamente 100), chamados Letus (plural Letusen, em idioma zarlia, mas em português podemos usar Letus mesmo no plural, por conveniência), também são divisões da consciência de Aldetor, mas são independentes das vontades dele, ou seja, realizam suas ações independentemente de Aldetor estar pensando neles ou não. Eles eram seres de enorme força e capazes de proezas incomuns. Os Letus encontraram-se com as Mirias (mais divisões de sua consciência), que descem do firmamento (de uma das luas) pelas “Escadarias de Miria” para encontrarem-se com os Letus e se multiplicarem. Esse é o limite da divisão da consciência de Aldetor, o que já e muita coisa! São cinco deuses, mais o sexto deus, 100 homens e 100 mulheres!

A partir daí algo curioso acontece. Da união dos Letus com as Mirias nascem mais seres, que apesar de terem se originado desses seres criados por Aldetor, ainda conservam parte dos poderes decorrentes. Os “cruzamento” continuam, famílias foram formadas e cada geração seguinte teve o poder mais diluído. Mas isso não é nada mau, pois imagine um mundo povoado por superseres!
Cidades foram erguidas e muita coisa aconteceu. Gavius acabou com o ciclo após 2520 anos, tempo suficiente para ocorrer o nascimento dos gêmeos novamente fora do sonho. E a cada ciclo novo, novos Letus e Mirias aparecem.

Segundo Ciclo

No segundo ciclo Aldetor divide-se em muito mais do que cinco deuses. Eles acabam guerreando entre si (Vorth, que foi deus da Água no primeiro ciclo, aparece novamente e sempre aparecerá, pois representa as memórias de Aldetor com relação aos ciclos anteriores). A cada vez que queria ordem, esquecia-se que o caos era necessário. E sempre que queria banir o mal, percebia que tanto a luz quanto a treva eram necessários. Neste ciclo Aldetor aprendeu como acordar seu corpo físico sem destruir seu sonho, permanecendo em um estado de semi-consiência.

Terceiro Ciclo

No terceiro ciclo Aldetor decide não dividir sua consciência e se mantém único e inteiro, com receio de criar guerras. Mas então seu corpo onírico inflama e surgem deuses representando as diferentes tendências que tanto estavam em conflito em sua mente.

Quarto Ciclo

No quarto ciclo Aldetor não permitiu que seres inteligentes povoassem seu mundo, pois a interação entre os mortais sempre causa confusão. Portanto, não havia os Letus e nem as Mirias. Mas então os animais, plantas, rios e montanhas começaram a criar vida, e muitos tomaram formas humanóides com o tempo.

Quinto Ciclo

No quinto ciclo Aldetor resolveu que dividiria-se em forma de animais, plantas, rios e montanhas, mas isso fez com que, ao passarem-se os séculos, os mortais reverenciassem a si mesmos os deuses antropomórficos que procuravam por instinto.

Sexto Ciclo

Ao iniciar o sexto ciclo Aldetor deixou que seu inconsciente controlasse o sonho, e permaneceu acordado quase o tempo todo ao lado de seus pais, pois o Lampa (a bolha na qual viajam pelo espaço) atingiu um lugar habitado no universo (um planeta). Aldetoron tomou rumos incontroláveis, a geografia mudava drasticamente a cada ano e seres inimagináveis criados pelo inconsciente dominavam o mundo. Enquanto isso, no mundo encontrado fora do sonho, Aldetor conheceu criaturas que jamais imaginou, de raças, tamanhos e cores diferentes. Viu muitas coisas das quais seus pais nunca puderam conversar com ele para que não influenciassem o sonho. E assim o sexto ciclo tomou rumos cada vez mais loucos e inesperados.

Sétimo Ciclo

O sétimo ciclo é o atual, que será o mais detalhado por enquanto.

Então só posso, como mestre, usar o Sétimo Ciclo??

Os aventureiros que chegam a Aldetoron de outros planos de existência podem vivenciar qualquer um desses ciclos, já que a correspondência entre a cronologia deste mundo com qualquer outro fica a critério do mestre. Vivenciar as intermináveis guerras do segundo ciclo, escolhendo qual deus seguir; ou as mutações do sexto ciclo, quando as influências externas ao sonho passaram a moldá-lo - a escolha é sua!

Quando um ciclo acaba nada sobra?

Cada vez que acaba um ciclo, outro é iniciado e há sempre dois deuses que sempre aparecem: aquele que representa a forma de Aldetor e Vorth. Vorth é a personificação de todas as memórias dos ciclos anteriores, ou seja, aquilo que o faz aprender com seus erros.

Mas algo mais sobra além de Vorth. Cada vez que um novo ciclo começa, tudo parece novo e vazio. Porém, sob o solo ficam os escombros de todos os ciclos que já se passaram. O nível mais profundo são os restos do primeiro ciclo, e o acima deste contém os escombros do segundo ciclo, e assim por diante. Todos esses subníveis, que são do mesmo tamanho da superfície, são coletivamente chamados de Doratraks (literalmente traduzido como "Escuridão Enlouquecedora" no idioma Zarlia). E essa é a maior masmorra que este que vos fala é capaz de conceber! Imagine que o continente tenha um tamanho X. Isso significa que Doratraks tem, no sétimo ciclo, um tamanho de 6X! Sim senhoras e senhores, a masmorra é maior e mais complexa do que a superfície.

E lá embaixo, lá no fundinho, no último nível reservado aos escombros do primeiro ciclo, cercado por tudo de mais bizarro, está o Poço dos Desejos. Quer fazer um pedido? Boa sorte.

8 comentários:

Trix disse...

OMG!! Então, foi assim q as coisas surgiram?!
Olha, posso dizer q jah estive no poço dos desejos e... nunca kis tanto.. não estar lah ^.^

Continue na empreitada, estou adorando saber mais sobre o cenário q jogamos ^.^

Alexandre Ðraco disse...

Pois é, vc até fez seus pedidos. Só que o desafio não era chegar lá, e sim sair!
E lembro-me que, por acaso, vocês não tinham nenhuma moeda!

Draganoth disse...

Show o esquema de criação de deuses!
O fato deles serem evoluídos da mente de um grande criador e das evoluções que mais tarde viriam.

Você tá criando o cenário agora ou já em ele criado e posta aqui aos poucos?

Cê já pensou em narrar para um grupo pela net? Se, de repente, pensar nisso, me inclui nele ^^

Hosseh disse...

Nossa, muito legal mesmo, gostei muito da influencia hindu...

2 duvidas importantes surgiram... oq exatamente saoos Mitras (ou pelo menos oq representam)?

segunda, as racas q etnicas de Aldetoron sao unicamente Letas
,Mirias, Shalmak e Liundari? as 4 racas renascem cada vez q um novo ciclo comeca?

Uma outra duvida...as "camadas" dos ciclos anteriores representariam alguma coisa parecida com os sete infernos do alighieri? ou seja cada camada representa alguma sensacao, medo ou sentimento especifico? (quem sabe decorrente da forma como terminou cada ciclo) ou o "conteudo" de cada uma das camadas eh aleatorio?

PS: quero jogar hein!!!
PS2: nao va dar muito spoiler do Puching daisies q ate agora nao assisti...hehehe...esqueci os 2 dias ... =S

Alexandre Ðraco disse...

Obrigado pelos comentários!

Bom, o cenário já está criado, vou postando aqui aos poucos e aproveito para detalhar enquanto posto aqui.
Não mestrei online ainda, mas com a 4ª edição chegando, e com a mesa virtual, pretendo aproveitar o recurso. Se bem que vou ter que trocar o PC antes!

Bom, Mitras é o nome de um reino de Aldetoron, cuja capital não pertence ao sonho, ou seja, não é sonhada por Aldetor, e sim por uma entidade de fora do sonho.

Os Leta, Mirias, Shalmak e Liundari são as primeiras raças de Aldetoron. Os Leta e Mirias são da mesma "raça", são só nomes para "homens e mulheres humanos". Os Shalmak são homens-cobra-salamandras e os Liundari os elfos. Quando um ciclo acaba, os humanos (descendentes dos Leta e das Mirias) morrem todos, assim como os Shalmak. Os Liundari são os únicos e verdadeiros imortais, pois Maya, a mãe de Aldetor e criadora da raça Liundari, cria uma escadaria prateada e todos sobem para uma lua antes que o mundo acabe. E quando começa de novo, eles descem. Essa é uma peculiaridade dos Liundari, e vou detalhar quando falar deles.

As "camadas" de Doratraks representam, de certa forma, sentimentos sim. A mais baixa é a "primal", quando Aldetor descobriu os cinco elementos. A seguinte representa a capacidade máxima da divisão da mente de Aldetor, que foi quando ele criou mais deuses (mais de 1000) que guerrearam todos uns contra os outros em brigas por território (isso representa uma confusão mental de Aldetor, pois as muitas partes de sua mente, ou seja, os deuses, lutavam entre si de modo que ele descobrisse a si mesmo, quais seus sentimentos mais fortes, emoções mais duradouras e sensações mais agradáveis).
E assim por diante. Então podemos chamar a camada mais baixa de "descobrimento", e a segunda de "auto-avaliação". A terceira pode ser chamada de "confusão". Vou escrever bastante sobre Doratraks ainda, mas acho que já ajuda.

Alexandre Ðraco disse...

Mais um detalhe: há bem mais raças do que essas! Não são só esas quatro. Os deuses dos ciclos seguintes foram criando outras, como os protântilos, anões, lamias, haika, losfrit e shivara, entre outras raças.

Hosseh disse...

comentario/sugestão:

posso estar me adiantado mas vale a pena perguntar...tem algum personagem ou individuo, tirando os elfos, que tenha sobrevivido a todas as eras?
ou tipo, alguem parecido ao Walter da Torre Negra?

Alexandre Ðraco disse...

Tem sim, Hosseh. No texto vc pode notar que, além dos Liundari (elfos), um dos aspectos de Aldetor (ou seja, um dos deuses) é recorrente, aparece em todos os ciclos. É Vorth, um pesonagem bem complexo, a parte da consciência de Aldetor responsável por suas memórias. Ele tem lá suas semelhanças com "Walter/Randal Flagg/Homem Escuro". Inclusive comecei a escrever um livro que ele participa, mas acabei abandonando o projeto faz 3 anos.

Além do Vorth, tem umas espécies de criaturas que vivem nos subterrâneos (em Doratraks), que são uma espécie de imortais, resíduos dos ciclos anteriores. Por exemplo: a deusa Maliah, deusa do elemento madeira, do primeiro ciclo, primeira esposa de Aldetor, mãe do Atropal, continua vivendo no fundo de Aldetoron. Entre outros.